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Os líderes das potências emergentes do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se reúnem na cúpula entre BRICS e Unasur, em Brasília, 16 de julho de 2014

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Os presidentes da América do Sul saudaram nesta quarta-feira a criação do banco do BRICS como uma alternativa ao FMI e ao Banco Mundial, em uma inédita cúpula em Brasília, na qual destacaram sua preocupação com a questão da dívida argentina.

Os líderes de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul acertaram na véspera, em Fortaleza, a criação de um Novo Banco de Desenvolvimento com capital de 50 bilhões de dólares para financiar infraestruturas.

A nova instituição pretende cobrir uma carência de disponibilidade de financiamento internacional para obras vitais nos países em desenvolvimento, com grandes deficiências nessa área.

O BRICS também aprovou um acordo que coloca à disposição 100 bilhões de suas reservas internacionais no caso de crise em um desses países.

O novo banco e o acordo de reservas "é uma grande notícia para toda a América do Sul". "Propusemos uma aliança de trabalho com o Banco do Sul e o Banco do BRICS", disse o presidente venezuelano, Nicolás Maduro.

O presidente boliviano, Evo Morales, afirmou que "o Banco Mundial e o FMI apenas fazem chantagear os governos (...). Este novo banco de desenvolvimento, estou certo, no futuro acabará com as políticas de neoliberalismo e novo colonialismo".

A argentina Cristina Kirchner defendeu um "reordenamento global financeiro que inclua as necessidades de crescimento e produção, e não de destruição do emprego e abandono das sociedades que nos coube durante tantas décadas aos americanos do sul".

- Argentina protagonista -

A Argentina se tornou uma das protagonistas da cúpula, diante da ameaça de default provocada pela decisão de um juiz de Nova York favorável aos fundos especulativos.

"A situação da Argentina neste momento diante da decisão de um juiz dos Estados Unidos é um tema que tem suscitado grande reação de parte de todo o mundo (...) e é uma situação irracional, insólita. Aqui, todos os países expressaram seu apoio à Argentina e à uma solução prática", explicou o presidente colombiano, Juan Manuel Santos.

A questão provocada pela reestruturação da dívida argentina "não é um tema apenas da Argentina, pode afetar todos os países", disse Santos, revelando que a presidente Dilma Rousseff "propôs diretamente a situação como tema de discussão da próxima reunião do G20", na Austrália.

A Argentina está ameaçada de default após a decisão de um tribunal de Nova York que impede o país de pagar os credores da dívida reestruturada (92,4% do total) antes de honrar o débito com os fundos especulativos que não aderiram ao acordo.

Vários presidentes abordaram o tema do crescimento inclusivo, que deveria ser central na inédita cúpula BRICS-América do Sul, entre eles a presidente chilena, Michelle Bachelet, que pediu trabalho para "derrotar a desigualdade e obter um desenvolvimento inclusivo e sustentável".

A presidente Dilma Rousseff; seus colegas de Rússia, Vladimir Putin; China, Xi Jinping; África do Sul, Jacob Zuma, e o premier indiano, Narendra Modi, aprovaram na véspera a criação de um banco de desenvolvimento para financiar infraestruturas em seus países e em outros em desenvolvimento, com um capital de 50 bilhões de dólares, e um compromisso para disponibilizar 100 bilhões de dólares de suas reservas para enfrentar eventuais situações de crise.

"Temos um olhar generoso para os países em desenvolvimento", disse Dilma sobre se essas instituições poderiam ajudar países em desenvolvimento, como a Argentina, e afirmou que ainda não se definiu como funcionarão os empréstimos a países de fora do BRICS.

AFP