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Amazon se une à polícia contra criminalidade

Aparelho de segurança da Amazon está gerando polêmica em relação às liberdades civis afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 28. agosto 2019 - 22:20 minutos
(AFP)

A companhia americana Amazon afirmou nesta quarta-feira que mais de 400 departamentos de polícia dos Estados Unidos se uniram a sua rede "Ring Neighbours", um programa de combate ao crime que utiliza os vídeos gravados pelo interfone residencial digital desenvolvido pela empresa que tem gerado preocupações com as liberdades civis.

O programa "Ring Neighbours" (em tradução livre, "Campainha de Vizinhos) representa uma parceria incomum entre a empresa de tecnologia e as agências de aplicação da lei naquele país, através da qual eles ofereceram dispositivos Ring gratuitamente ou com desconto para os residentes como parte dos esforços de prevenção ao crime.

A Ring, fabricante de dispositivos comprada pela Amazon por 839 milhões de dólares, afirma que seu interfone com vídeo e suas aplicações associadas ajudam a melhorar a comunicação entre os moradores e seus respectivos departamentos de polícia.

A comunicação entre o morador e a polícia se dá através do compartilhamento das imagens obtidas pelo aparelho com as forças de segurança.

"Hoje, 405 agências usam o Neighbors, que permitem aos agentes da ordem pública interagir com sua comunidade local", disse o diretor-executivo da Ring, Jamie Siminoff, em seu blog.

Isto inclui "divulgar informação importante sobre crimes e atos de segurança em suas vizinhanças" e "pedir ajuda em investigações ativas emitindo solicitações de gravações de vídeo", explicou Siminoff.

Mas o programa também gerou temores entre grupos de defesa das liberdades civis de maior vigilância da polícia sem garantias de como os dados são coletados e armazenados.

Jay Stanley, analista de políticas da União das Liberdades Civis dos Estados Unidos, disse que o programa corre o risco de gerar grandes quantidades de dados carregados na nuvem da Amazon, que podem ser acessados por autoridades sem proteção da privacidade.

"Você tem duas instituições poderosas, a Amazon e a polícia, que cooperam para aumentar a vigilância nas comunidades americanas, e isso é um pouco assustador e desconcertante", disse Stanley.

"E a Amazon tem policiais para promover a Ring, servindo como agentes de vendas financiados com dinheiro público", disse.

Mas a Amazon respondeu ao que chamou de notícias "enganosas" sobre o programa.

"Queremos deixar as coisas claras: os clientes, não as autoridades, têm controle sobre seus vídeos", disse a empresa em comunicado enviado por e-mail.

A Amazon disse que os vídeos são compartilhados somente se um cliente der o seu consentimento ou se tornar público e se os responsáveis pela aplicação da lei "precisarem passar pela equipe do Ring quando fizerem uma solicitação de vídeo aos clientes".

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