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O presidente venezuelano Nicolas Maduro em Caracas, no dia 10 de agosto de 2017

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Milhares de venezolanos marcham nesta segunda-feira em Caracas para repudiar a advertência do presidente americano, Donald Trump, de que poderá usar a "opção militar" na Venezuela, uma ameaça que oxigenou o governo de Nicolás Maduro que, por sua vez, ordenou a realização de exercícios militares em todo o país.

Com uma música ressoando pelo alto-falante "Yankee go home!", seguidores do governo, vestidos de vermelho, foram até o palácio presidencial de Miraflores, à espera de Maduro.

Diante da multidão de simpatizantes, o presidente venezuelano ordenou a realização de exercícios da Força Armada em todo o país em 26 e 27 de agosto, em reação à advertência de Trump, na sexta-feira.

"Dei a ordem ao Estado Maior Superior da Força Armada para iniciar os preparativos para um exercício nacional, cívico militar de defesa integral armada da pátria venezuelana", anunciou o presidente.

"Vamos continuar na rua protestando contra qualquer forma de ingerência do imperialismo, seja diretamente ou com seus aliados na América Latina. Exigimos respeito", havia dito mais cedo o poderoso dirigente chavista Diosdado Cabello na manifestação.

Em visita à Colômbia, parte de uma viagem à América Latina, o vice-presidente americano, Mike Pence, advertiu no domingo que os Estados Unidos não aceitarão "uma ditadura" na Venezuela, mas matizou a advertência de Trump, o que, entretanto, não acalmou o governo venezuelano.

"Não ficaremos esperando enquanto a Venezuela desmorona, mas é importante ressaltar, como disse o presidente, que um Estado falido na Venezuela ameaça a segurança e a prosperidade do hemisfério", afirmou nesta segunda-feira.

Pence disse que seu país está decidido "a usar todo o poder econômico e diplomático americano" até que seja "restaurada" a democracia na Venezuela.

Os Estados Unidos impuseram recentemente sanções financeiras e jurídicas contra Maduro e vinte de seus funcionários e ex-colaboradores, acusando-os de ruptura da ordem democrática, de corrupção e de violação de direitos humanos.

- "Um presente para Maduro" -

A advertência de Trump gerou forte rejeição internacional, precisamente quando vários governos vinham aumentando sua pressão contra Maduro, após a instalação há uma semana de uma Assembleia Constituinte que rege o país com poderes absolutos.

"Isso tornará mais difícil la ação multilateral na Venezuela. Dará crédito à denuncia de que os Estados Unidos ameaçam sua soberania e planeja uma invasão. É absurdo, mas será usado politicamente pelo governo. É um presente para Maduro", disse à AFP Michael Shifter, presidente do centro Diálogo Interamericano, com sede em Washington.

O analista Diego Moya-Ocampos, do IHS Markit, com sede em Londres, opinou que "servirá para que os altos escalões civis e militares radicais do governo se unam mais no curto prazo sob uma narrativa de possível ameaça externa".

"O presidente Trump acabará sendo, sem querer, o melhor patrocinador político do presidente Maduro", opinou o analista político Luis Vicente León.

A psicóloga social Colette Capriles disse à AFP que a advertência "se encaixa muito bem com a imaginação arcaica do regime de Maduro e do próprio Trump, cuja política externa não parece ter rumo definido" e está "sob extrema pressão para dar um sentido ao papel dos EUA na geopolítica global".

Este balão de oxigênio surge em meio a uma severa crise econômica e política, com protestos contra Maduro que em quatro meses deixaram 125 mortos.

- "Desmascarado" -

Funcionários do governo lideraram as manifestações em diferentes cidades do país. A Força Armada, principal base de sustentação do regime, reiterou sua lealdade a Maduro e se disse pronta para enfrentar uma agressão militar.

Rodeado de tanques de guerra e centenas de soldados armados no complexo militar de Fuerte Tiuna, em Caracas, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino López, classificou de "delirantes" e "loucas" as ameaças de Trump.

"Aparentemente se esgotaram todas as vias, todos os métodos do golpe suave (...) e o império norte-americano deixou cair a máscara para ir pela via direta da agressão militar", disse Padrino López.

Durante uma sessão no Palácio Legislativo, sede do Parlamento de maioria opositora, os 545 constituintes da Assembleia se declararam "dispostos a tudo" caso se concretize uma intervenção militar.

"Os fuzis chegariam a Nova York, senhor Trump! Os fuzis chegariam à Casa Branca!", clamou o constituinte Nicolás Maduro Guerra, filho do presidente venezuelano.

"Combatemos todos as tentativas golpistas. Os Estados Unidos têm que saber que este povo está disposto a defender por qualquer via sua soberania, se for necessário pelas armas", garantiu nesta segunda-feira o chanceler Jorge Arreaza.

A aliança opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) rejeitou no domingo "a ameaça militar de qualquer potência estrangeira" contra a Venezuela, sem mencionar Trump, o que despertou críticas do governo sobre seus adversários.

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AFP