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(Arquivo) Cerimônia de entrega do Prêmio Princesa de Astúrias, em Oviedo, no dia 23 de outubro de 2015

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O cientista americano Hugh Herr, pioneiro em próteses inteligentes, foi anunciado nesta quarta-feira como o vencedor do Prêmio Princesa de Astúrias de Pesquisa Científica e Técnica por seu trabalho no campo da biomecânica, que está ajudando a "melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas".

"As pesquisas pioneiras de Herr em biomecatrônica, combinando inteligência artificial, neurofisiologia e robótica, resultaram em um novo tipo de próteses biônicas inteligentes, controláveis pelo cérebro", afirmou o júri ao anunciar o prêmio em Oviedo (Astúrias, norte da Espanha).

O júri classifica Herr como "líder mundial da biônica [aplicação dos fenômenos biológicos à tecnologia], por ter desenvolvido as primeiras próteses que conseguem emular a locomoção humana, permitindo superar deficiências, como a que ele mesmo tem".

O físico de 51 anos sofreu a amputação das duas pernas abaixo dos joelhos quando tinha 17 anos, depois de sofrer o congelamento dos membros durante uma escalada.

Isto o levou a pesquisar maneiras de melhorar a mobilidade das pessoas com deficiências e a projetar "para ele mesmo próteses especiais que permitiram que continuasse praticando a escalada", destacou a Fundação Princesa de Astúrias.

Nascido em outubro de 1964 na Pensilvânia, nos Estados Unidos, Herr estudou física, engenharia mecânica e biofísica, e atualmente dirige as pesquisas em biomecatrônica no Media Lab do prestigioso Instituto Tecnológico de Massachusetts (MIT).

No MIT, desenvolveu próteses sofisticadas que permitem realizar "movimentos similares aos fisiológicos", indicou o júri ao ressaltar que o pesquisador utilizou um conjunto de "disciplinas científicas e tecnológicas de vanguarda".

Herr também criou exoesqueletos para "potencializar as capacidades físicas humanas", contribuições que "estão acelerando a integração homem-máquina, o que permitirá melhorar a qualidade de vida de milhões de pessoas", concluiu o júri.

Acabar com a deficiência

"Espero que este reconhecimento lance luz sobre a missão global de acabar com a deficiência humana no século XXI através dos avanços contínuos em biônica", disse Herr em uma declaração, na qual afirmou estar "profundamente comovido" com o prêmio.

Desde o acidente em que perdeu as pernas, Herr nunca se deu por vencido e sempre acreditou que a tecnologia permitiria que ele continuasse praticando a escalada, sua paixão, afirmou o cientista.

"Através da inovação tecnológica, voltei para o esporte mais forte e com mais habilidades", disse Herr durante uma conferência em 2014. "Com pernas biônicas posso ficar em pé, caminhar, correr, pular. Damas e cavalheiros, bem-vindos a idade biônica", completou.

Titular de dezenas de patentes, Herr desenvolveu próteses de joelho para amputados, de tornozelo e de pés para portadores de doenças associadas à esclerose múltipla, e de pernas que dão estabilidade ao paciente sobre qualquer superfície.

O prêmio

O pesquisador americano competia com outros 33 candidatos ao prêmio Princesa de Astúrias de Pesquisa, que no ano passado foi entregue às bioquímicas Emmanuelle Charpentier e Jennifer Doudna por seus trabalhos em edição do genoma.

O de pesquisa é o quarto dos oito prêmios concedidos anualmente pela Fundação Princesa de Astúrias, que leva o nome da herdeira do trono da Espanha, a princesa Leonor. Os vencedores recebem 50.000 euros e uma escultura do artista espanhol Joan Miró.

Nas últimas semanas foram premiados a atriz e diretora de teatro espanhola Núria Espert, com o prêmio de Artes, o fotojornalista americano James Nachtwey, com o de Humanidades, e a historiadora britânica Mary Beard, com o de Ciências Sociais.

AFP