Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Manifestantes usam máscaras da chanceler alemã Angela Merkel e do presidente americano Donald Trump durante protesto à margem do G20 em Hamburgo

(afp_tickers)

As autoridades alemãs, com Angela Merkel à frente, estão sendo criticadas após os episódios de violência durante a cúpula do G20 em Hamburgo que mancham a imagem do país internacionalmente.

Em seu editorial, o jornal mais lido da Alemanha, o Bild, apontou neste sábado a chanceler como responsável pelo "desastre", acusando-a de ter "falhado" em manter a lei e a ordem pública desde quinta-feira.

"A sensação de segurança que o Estado deve garantir deixou de existir em Hamburgo", ressaltou o jornal, colocando os líderes alemães em uma situação embaraçosa a menos de três meses para as eleições legislativas.

"Os políticos devem assumir a total responsabilidade pelos policiais feridos e a destruição na cidade", criticou o líder local do sindicato da polícia BDK, Jan Reinecke, na revista Der Spiegel.

Durante a coletiva de imprensa de encerramento do G20, Merkel condenou a violência, ao mesmo tempo que defendeu a escolha de Hamburgo para sediar a cúpula.

"Não é possível decretar que não se pode organizar uma cúpula em determinado lugar", considerou, lembrando que o G20 já foi organizado em Londres e em Cannes na França.

Neste sábado, uma nova manifestação reunia 20.000 manifestantes segundo a polícia, 76.000 de acordo com os organizadores, sem o registro de confrontos.

- Perda do controle -

O jornal conservador Die Welt mencionou uma "perda do controle" pelas autoridades, que deixaram alguns bairros de Hamburgo, a segunda maior cidade do país com 1,7 milhões de habitantes, se transformarem em zonas livres para os militantes violentos.

O espetáculo nesta grande cidade portuária é realmente muito distante da imagem de "porta para o mundo" dinâmica e internacional apresentada pelos líderes alemães antes da cúpula.

Um total de 213 policiais ficaram feridos e 143 pessoas foram detidas, de acordo com o último balanço. E o número de manifestantes feridos ainda não é conhecido com precisão.

Na sexta-feira, a polícia, com 20.000 homens mobilizados, precisou pedir reforços.

Os bairros de Schanzenviertel e St. Pauli, redutos da contestação de extrema-esquerda, se transformaram na sexta à noite em áreas de "caos urbano" e "campo de batalha", nas palavras da imprensa alemã.

Uma unidade de intervenção especial da polícia foi chamada para ajudar a controlar a situação.

Barricadas foram erguidas nas ruas. Vândalos, vestidos de preto e com os rostos cobertos, arrancaram placas de sinalização para fazer projéteis. Atearam fogo em veículos, lançaram garrafas de cerveja e pedras e devastaram os bens públicos.

- Supermercado saqueado -

Um supermercado foi saqueado, de acordo com a televisão, e outras lojas vandalizadas pelos desordeiros, segundo a polícia, com barras de ferro.

Alguns ativistas de extrema-esquerda se distanciaram da violência. Mas há semanas, os simpatizantes do movimento anarquista e autônomo prometem um "inferno" nesta cidade, reduto histórico da contestação violenta contra o Estado.

Os bairros onde os episódios de violência ocorreram estão localizados dez minutos a pé do centro de convenções que recebe os líderes dos 20 países mais ricos do mundo.

"Hamburgo nunca deveria ter sido escolhida como cidade anfitriã desta cúpula", criticou Reinecke. Uma opinião partilhada por muitos meios de comunicação, incluindo Der Spiegel, que considera que "os piores temores se tornaram realidade e lançaram uma sombra escura sobre a cúpula".

Na quinta-feira à noite, confrontos eclodiram entre a polícia e manifestantes.

A polícia, que parou o cortejo depois de algumas centenas de metros, foi rápida em pulverizar contra a multidão gás lacrimogêneo e colocar em ação seus canhões de água.

Ela "agiu com tanta virulência que as pessoas entraram em pânico", escreveu Der Spiegel. Resultado: manifestantes potencialmente violentos formaram pequenos grupos dispersos e incontroláveis.

AFP