A chanceler alemã Angela Merkel visitará Auschwitz na sexta-feira pela primeira vez, um evento de grande simbolismo no ex-campo nazista, associado sobretudo ao extermínio dos judeus, em um momento de alerta na Alemanha com o ressurgimento do antissemitismo.

Merkel será a terceira chefe de Governo da Alemanha a visitar a área do campo de extermínio, localizado na Polônia, em quase 25 anos. A viagem acontecerá um pouco antes do aniversário de 75 anos da libertação de Auschwitz em janeiro de 1945.

"A visita é um sinal particularmente importante de interesse e de solidariedade nesta época em que os sobreviventes de Auschwitz são vítimas de insultos antissemitas e de e-mails de ódio", afirmou o vice-presidente executivo do Comitê Internacional de Auschwitz, Christoph Heubner.

Também acontece no momento em que as últimas testemunhas do campo estão desaparecendo, como a francesa Simone Veil em 2017 ou o americano Elie Wiesel, falecido em 2016. Os dois foram deportados para este campo, onde foram assassinadas quase 1,1 milhão de pessoas entre 1940 e 1945.

- Minuto de silêncio -

Angela Merkel, que foi convidada pela Fundação Auschwitz, estará acompanhada pelo primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, por um sobrevivente e por representantes da comunidade judaica.

A chanceler vai passar pelo portão de entrada que inclui o sinistro lema dos nazistas "Arbeit macht frei" ("O trabalho liberta") e depois respeitará um minuto de silêncio diante do Muro da Morte, onde milhares de detidos foram fuzilados.

Durante a tarde, ela seguirá para Birkenau, a três quilômetros do campo principal. Merkel deve pronunciar um discurso durante a visita.

Na Alemanha, país que fez da recordação da "shoah" (holocausto) o centro de sua identidade do pós-guerra, as autoridades observam com preocupação o avanço dos atos antissemitas.

Em outubro, um atentado frustrado contra uma sinagoga de Halle (leste) deixou o país em estado de choque. O autor, que conseguiu matar duas pessoas na rua, é um jovem adepto das teses negacionistas.

O partido de extrema-direita alemão AfD, que tem representação há dois anos no Bundestag (Parlamento), defende o fim da cultura do arrependimento. Alguns de seus integrantes minimizam ou relativizam os crimes nazistas.

- Alerta -

Recentemente, uma sobrevivente de Auswchwitz, Esther Bejarano, de 94 anos, fez um alerta. "Meus pais e minha irmã foram assassinados (ali). Hoje temos que afirmar às pessoas: 'não se calem, façam algo'".

"Sim, tenho medo de que (a história) se repita", completou em entrevista à revista Der Spiegel.

Na sexta-feira, Angela Merkel, será a terceira governante alemã a visitar Auschwitz. Helmut Schmidt foi o primeiro, mais de 22 anos depois do Exército Vermelho libertar o campo em 27 de janeiro de 1945. Helmut Kohl visitou o local em duas ocasiões (1989 e 1995).

Em 14 anos no poder, a chanceler multiplicou os gestos simbólicos ao visitar Ravensbrück, Dachau e Buchenwald. Também compareceu cinco vezes ao Monumento do Holocausto de Yad Vashem em Jerusalém.

Em março de 2008 ela protagonizou um momento histórico: Merkel foi a primeira chefe de Governo da Alemanha a discursar na Knesset, o Parlamento israelense. Durante a intervenção, que começou em hebraico, reiterou a "vergonha" que marca os alemães.

Poucos países fazem tanto para manter viva a recordação dos crimes nazistas como a Alemanha.

Em Berlim, as referências à barbárie nazista são onipresentes: desde as estelas de pedra no imenso "Memorial aos Judeus Mortos da Europa" até os cartazes que lembram as leis contra os judeus promulgadas nos anos 30 e 40 do século passado ("Os médicos judeus não devem mais exercer a profissão"), que chamam a atenção dos pedestres nas ruas residenciais.

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