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(Agosto) José Eduardo dos Santos e João Lourenço no encerramento da campanha, em Luanda

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O novo presidente angolano, João Lourenço, prestou juramento nesta terça-feira para suceder José Eduardo dos Santos, que se retira depois de 38 anos de poder e de uma vitória indiscutível nas legislativas de agosto de seu partido, Movimento Popular para a Libertação de Angola (MPLA).

A cerimônia de posse do terceiro chefe de Estado angolano desde a independência em 1975 foi realizada na Praça da República da capital, com a presença de vários dirigentes estrangeiros, entre eles o ruandês Paul Kagame e Teodoro Obiang Nguema, da Guiné Equatorial, o mais longevo chefe de Estado africano.

A chegada ao poder de João Lourenço, ex-ministro da Defesa, marca o fim de 38 anos de poder de Santos. Mas os dois são membros dol MPLA, solidamente instalado no poder desde 1975.

O MPLA venceu as eleições organizadas no final de agosto com uma ampla vantagem de 61% dos votos.

João Lourenço, de 63 anos, produto do ex-partido único, se comprometeu a "promover a estabilidade, o bem-estar e o progresso social de todos os angolanos".

O país atravessa uma grave crise econômica, consequência da queda dos preços do petróleo. Angola é um dos principais produtores africanos de petróleo.

General reformado, é fiel ao regime e o herdeiro ideal de José Eduardo dos Santos, que se aposenta politicamente.

"João Lourenço faz parte do primeiro círculo do poder", resume Didier Péclard, pesquisador da Universidade de Genera. "É um fiel ao partido, um homem de consenso".

Desde os anos 1970, todo o percurso de João Manuel Gonçalvez Lourenço - um homem discreto, pouco habituado a discursos - reflete uma lealdade inquebrantável ao partido, e também a sua fome de poder.

"Há tempos me preparo para este cargo", confidenciou ao anunciar oficialmente sua candidatura em novembro.

Lourenço cresceu em uma família muito envolvida com a política. Seu pai, enfermeiro, passou três anos na prisão por atividades políticas ilegais.

Influenciado pelo marxismo-leninismo, Lourenço estudou história na ex-URSS, que durante a Guerra Fria formou as jovens figuras emergentes a descolonização na África.

Lourenço se somou à luta pela libertação de Angola em 1974, depois da queda da ditadura em Portugal, que levou um ano depois à independência.

Em 1984, virou governador da província de Moxico (leste) e iniciou sua ascensão no partido.

Mas somente em 2014 o general Lourenço sai realmente das sombras, quando assume o cargo de ministro da Defesa.

Sua nomeação à vice-presidência do MPLA em agosto passado o fez entrar no estreito círculo dos possíveis herdeiros.

O presidente Santos, que aparentemente queria impor um membro de sua família, o atual vice-presidente Manuel Vicente - acusado por corrupção em Portugal -, acabou por aceitar a opinião dos demais dirigentes do partido, que optaram por Lourenço.

"É o herdeiro ideal para Santos" opina Alex Vines, do centro de reflexões britânico Chatham House.

"É respeitado pelos militares, não tem o mesmo estilo de vida de outros hierarcas e sua esposa tem uma boa reputação de tecnocrata", acrescenta.

Ana Dias Lourenço foi ministra de 1997 a 2012 e representou Angola ante o Banco Mundial.

Apesar de sua imagem de moderado, os adversários do regime não esperam nada com a chegada de Lourenço ao poder, já que é considerado um homem do sistema.

"É um general radical", assegura o jornalista Rafael Marques de Morais.

"É um militar, tem mentalidade hierárquica. Dá ordens, os outros obedecem", acrescenta Luaty Beirao, um rapper adversário do regime.

A saúde do ex-presidente parece ter precipitado o momento de sua aposentadoria, inicialmente planejada para 2018. Nos últimos meses, suas viagens particulares à Espanha alimentaram os boatos, o que obrigou sua família a desmentir publicamente sua morte.

José Eduardo dos Santos se orgulha de ter devolvido a paz ao país depois de uma guerra civil (1975-2002), mas deixa o poder em um país em crise.

Apesar da receita do petróleo que ajudou os cofres públicos durante 15 anos, Angola continua sendo um dos países mais pobres do planeta. E a queda dos preços do combustível desde 2014 deixou a nação à beira da asfixia financeira, com uma disparada do desemprego.

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AFP