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Anistia Internacional denuncia 'violações generalizadas' dos direitos humanos durante repressão a protestos no Chile

Os Carabineros do Chile prendem um manifestante durante protesto contra o governo do presidente Sebastián Piñera em Santiago, em 25 de setembro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 14. outubro 2020 - 22:15
(AFP)

A Anistia Internacional (AI) divulgou nesta quarta-feira, a poucos dias do aniversário de um ano do início das manifestações sociais no Chile, um relatório onde denuncia que "graves violações dos direitos humanos ocorreram de forma generalizada" durante a repressão aos protestos.

"Os comandos estratégicos dos Carabineros (polícia militar chilena) permitiram a prática de atos de tortura e maus-tratos contra os manifestantes, considerando um mal necessário dispersá-los a todo custo", disse a diretora para as Américas da AI, Erika Guevara, em apresentação do relatório "De olho no Chile: violência policial e responsabilidade do comando durante o surto social".

A revolta explodiu em 18 de outubro de 2019 após uma alta no preço da passagem do metrô de Santiago e se tornou uma ampla mobilização social contra as desigualdades e o governo do conservador Sebastián Piñera, deixando pelo menos 30 mortos e milhares de feridos e detidos após semanas de protestos.

Segundo dados do Instituto Nacional de Direitos Humanos (INDH), 460 pessoas ficaram feridas nos olhos após o impacto no rosto de balas de borracha ou gás lacrimogêneo disparados por agentes antimotins.

A Anistia Internacional considera que, apesar das acusações de violações dos direitos humanos feitas a policiais pelas organizações internacionais um mês após o início das manifestações, "os casos de uso excessivo da força policial continuaram até meados de março 2020".

"Longe de se tratarem de atos isolados cometidos por funcionários agindo por conta própria, os atos de violência teriam sido cometidos com base em uma política cujo objetivo final era desencorajar o protesto social", disse Guevara durante videoconferência.

O Ministério da Justiça chileno publicou uma reação às conclusões da AI onde "reitera com força" que "não existiu, por parte dos Carabineiros, uma prática ou política premeditada ou generalizada do uso da força com o fim ou intenção de castigar os manifestantes, como sugere o relatório".

A AI denunciou a "impunidade" nas ações policiais e a indiferença do alto comando, apesar de ter conhecimento da situação. "Levaram um mês para limitar o uso da munição e nunca chegaram a proibi-la, apesar de existir um relatório interno que mostrava a sua periculosidade."

A polícia chilena afirmou que enfrentou uma violência incomum nas ruas e ajustou seus protocolos para dispersar os protestos sociais. No entanto, após a reativação das manifestações pelo fim das restrições impostas pela pandemia, o uso excessivo da força voltou a ser observado nas ruas.

No último dia 2, um adolescente caiu de uma ponte no rio Mapocho após ser empurrado por um policial, que foi detido e afirma que se tratou de um acidente. A Justiça investiga o caso.

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