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Soldados em Ipanema, em 29 de julho

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Cerca de 5.000 militares e policiais participaram neste sábado (5) de uma grande operação em várias favelas do Rio de Janeiro para combater o roubo de cargas e o tráfico de drogas, que deixou ao menos dois mortos e mais de vinte feridos.

Apoiados por helicópteros e dezenas de veículos blindados, 3.600 militares e mais de 1.300 policiais de diversas unidades participaram da operação, iniciada às 4h00 locais em quatro favelas da zona norte e em uma na zona oeste.

A operação se concentrou em dezenas de responsáveis por roubos de caminhões de carga, um flagelo a mais em um estado à beira da falência, castigado pela corrupção, pela guerra entre quadrilhas rivais de narcotraficantes e por execuções realizadas por milícias.

O secretário de Segurança do Rio, Roberto Sá, indicou que "dois criminosos morreram em confrontos" no Complexo do Lins e no Morro São João, no Engenho Novo, ambos na zona norte.

No total, 24 adultos e dois adolescentes foram detidos, segundo o balanço oficial.

Em um incidente sem relação com a operação, um policial morreu em um acidente de trânsito quando o veículo em que eram transportados dois detentos sofreu a colisão de um ônibus, informaram as autoridades.

- Clima de "tensão e medo" -

Militares com roupas camufladas se posicionaram desde cedo nos acessos ao complexo do Lins, com as armas prontas para disparar.

Carros blindados e jipes bloqueavam o acesso ao local, onde quem entrava ou saía era submetido a controles de identidade, buscas por armas e revistas de pacotes.

Moradores contaram que a chegada das tropas os acordou.

"Há um clima de tensão e medo. Quase ninguém conseguiu ir trabalhar", relatou Vanuza Barroso da Silva, de 23 anos, que se dirigia para o seu trabalho em um supermercado.

Por volta das 18h00 locais, a Secretaria de Segurança (Seseg) divulgou o balanço final da operação: foram apreendidos quatro quilos de cocaína, 13 de maconha, três pistolas, duas granadas e 22 veículos.

"Os agentes recuperaram cargas roubadas, entre elas material escolar, cosméticos, roupas e parte do conteúdo roubado" de um caminhão dos Correios, acrescentou a Secretaria.

- Segunda fase da "Segurança e paz" -

O presidente Michel Temer ordenou em 26 de julho o envio de 8.500 militares no Rio de Janeiro para integrar uma força de 10.000 homens a fim de conter a onda de insegurança no Rio de Janeiro.

A Seseg indicou que a operação deste sábado, chamada "Onerat" ("carga", em latim), marca a segunda fase da operação, batizada de "Segurança e Paz", que deve se estender até o final de 2018 e se basear em ações de inteligência e ações surpresa.

Essa estratégia contrasta com a empregada até o momento, de ocupação temporária do território, que volta a ser controlado pelas facção criminosas assim que as tropas se retiram.

A operação ocorre exatamente um ano depois da inauguração dos Jogos Olímpicos do Rio-2016, durante os quais dezenas de milhares de militares garantiram a segurança na cidade.

O primeiro semestre deste ano foi o mais violento no estado desde 2009, com 3.457 mortes violentas, 15% a mais que no mesmo período de 2016, de acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP). A área com maior número de casos (23%) é a Baixada Fluminense, na região metropolitana do Rio.

Até agora este ano, mais de 90 policiais foram mortos em confrontos ou fora de serviço. O último caso ocorreu na madrugada deste sábado, quando um sargento da Polícia Militar foi morto a tiros em seu carro, de acordo com um informe da polícia, citado pela imprensa.

AFP