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Vans do Instituto Médico Legal (IML) carregam corpos de detentos mortos durante rebelião, em Manaus, Amazônia, no dia 2 de janeiro de 2017 At least 60 people were killed in a prison riot in Brazil's Amazon region when fighting broke out between rival gangs.

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Ao menos quatro presos foram assassinados durante a madrugada deste domingo em outro presídio de Manaus, aumentando para quase uma centena o número de mortos nessa sangrenta semana para as prisões brasileiras.

O confronto, no qual a maioria das vítimas foram decapitadas, aconteceu no presidio público Desembargador Raimundo Vidal Pessoa por "motivo desconhecido", segundo comunicado do Comitê local de gestão de crise enviado à AFP, no qual ressaltou que "a situação neste momento é considerada estável".

A prisão, localizada no centro da cidade e fechada em outubro por suas más condições foi reaberta com urgência na segunda-feira (2) para acomodar quase 300 detentos procedentes de outros três presídios de Manaus.

As autoridades locais pretendiam assim separar presos das duas facções envolvidas no massacre ocorrido no domingo passado, no qual 56 internos foram brutalmente assassinados no complexo penitenciário Anísio Jobim (Compaj) também na capital do Amazonas.

Na tarde de segunda-feira, outros quatro foram encontrados em outra unidade do mesmo recinto.

Amontoados na enfermaria e na capela, as péssimas condições da prisão para a qual foram transferidos desencadearam um tumulto dos internos na sexta-feira (6), que manifestaram-se exigindo melhorias. O protesto se dispersou sem vítimas sob promessa de que seriam redistribuídos assim que terminarem as obras.

Em Roraima, no mesmo dia, outra revolta deixou 33 detentos mortos agravando a crise do sistema penitenciário brasileiro, acometido por superlotação carcerária e o domínio das facções.

Ainda que o número total tenha sido estimado em 31 mortos, nesse sábado (7) foram encontrados dois corpos enterrados no mesmo presídio de Boa Vista, onde teve lugar a tragédia.

Essa última onda de violência foi iniciada, segundo investigações, por causa da guerra aberta entre o Primeiro Comando da Capital (PCC), a maior facção criminal do país, e o Comando Vermelho -apoiado por seus aliados locais da Família do Norte-, que controla nacionalmente o narcotráfico.

Com 622.000 pessoas privadas de liberdade -em sua maioria jovens negros-, o país tem a quarta maior população carcerária do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Rússia, de acordo com dados oficiais.

A nível nacional, a porcentagem de ocupação das prisões é de 167%, e um informativo do Ministério de Justiça estima que teriam que aumentar os locais em 50% para solucionar o problema.

Na quinta-feira (5), o governo de Michel Temer anunciou um novo plano de segurança que prevê a criação de novas prisões em todos os estados, assim como medidas de modernização do sistema.

AFP