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Após vitória no Colégio Eleitoral, Biden vai à Geórgia de olho no Senado

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, em um discurso em Wilmington, Delaware, em 14 de dezembro de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 15. dezembro 2020 - 18:01
(AFP)

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, cuja vitória foi reconhecida nesta terça-feira (15) pelo líder republicano no Senado e o presidente Jair Bolsonaro, viaja hoje para a Geórgia com a missão de promover as candidaturas de dois democratas ao Senado, duas cadeiras cruciais para seu governo e que serão definidas em uma eleição extraordinária.

Biden chega à Geórgia com o impulso da confirmação de sua vitória pelo Colégio Eleitoral na véspera e com o prêmio do reconhecimento de sua vitória nesta terça pelo líder da maioria republicana do Senado, Mitch McConnell.

Durante mais de um mês, McConnell manteve-se fiel ao posicionamento do presidente em fim de mandato, Donald Trump, que não reconhece a própria derrota, mas nesta terça-feira no plenário do Senado reconheceu que o Colégio Eleitoral se pronunciou, após a entidade outorgar a Biden 306 votos contra 232 para seu rival.

"Muitos gostariam que a eleição presidencial tivesse um desfecho diferente, mas nosso sistema de governo tem processos que determinam quem tomará posse em 20 de janeiro", afirmou o chefe da bancada majoritária do Senado, que tem sido um fiel colaborador do governo de Trump e um pilar para a execução de sua agenda.

Biden relatou que ligou para McConnell para agradecer-lhe pelo gesto.

"Eu disse a ele que embora tenhamos divergências sobre muitas coisas, há questões em que podemos trabalhar juntos", declarou.

A porta-voz da Casa Branca, Kayleigh McEnany, se recusou a comentar as declarações de McConnell, dizendo apenas que o presidente continuará com seus recursos.

Após a ratificação do Colégio Eleitoral, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro, um aliado próximo de Trump, também reconheceu a vitória de Biden e disse estar "pronto" para trabalhar com ele.

- Uma luta pelo controle do Senado -

O objetivo do deslocamento de Biden à Geórgia é aproveitar sua vitória contra Trump neste estado tradicionalmente republicano para impulsionar as candidaturas ao Senado de Jon Ossoff e de Raphael Warnock. Eles enfrentam uma dura competição para evitar a reeleição de seus rivais, em uma campanha repleta de acusações que os descrevem como "socialistas".

A Geórgia, um sólido bastião republicano que não votava em um democrata desde as eleições presidenciais de 1992, enfrentará em 5 de janeiro um segundo turno na disputa pelo Senado. Desta votação depende quem terá o controle da Câmara Alta no início do governo de Biden.

Esse estado terá uma sessão extraordinária em 5 de janeiro, já que nenhum dos candidatos obteve mais de 50% dos votos.

Os democratas podem, porém, não obter resultados tão felizes, já que a margem da vitória de Biden neste estado foi mínima, e os senadores republicanos na disputa, David Perdue e Kelly Loeffler, estão na frente por já serem membros do Congresso.

Se os democratas ganharem essas duas cadeiras, alcançariam um equilíbrio 50/50 na Câmara Alta e, então, a vice-presidente democrata Kamala Harris exerceria o voto de desempate.

No início do mês, Trump viajou para a Geórgia para seu primeiro comício depois das eleições, um megaevento que atraiu milhares de pessoas, sem nenhum tipo de medidas de saúde ou distanciamento social, o que gerou inúmeras críticas.

- Uma oportunidade para o voto latino -

A visita de Biden a Atlanta é seu primeiro evento político de grande envergadura fora de seu reduto em Wilmington, Delaware, onde passou grande parte da campanha presidencial, devido aos riscos da covid-19.

Consciente de que nesta eleição estão em disputa os primeiros anos do próximo governo, o atual presidente Donald Trump tuíta diariamente sobre a campanha.

Nesta manhã, ele republicou um tuíte de uma foto editada do governador deste estado do sul dos Estados Unidos, Brian Kempt, e de seu secretário de Estado, Brad Raffensperger, usando máscaras com a bandeira da China.

Apesar de Kempt ser republicano, Trump guarda um profundo rancor dele pelo fato de o estado ter certificado a vitória de seu rival.

Na disputa entre o republicano Perdue e o democrata Ossoff, os dois estão empatados, de acordo com a última pesquisa realizada no sábado, 12 de dezembro, pela consultoria Trafalgar Group.

No outro duelo, o republicano Loeffler lidera por uma margem mínima de 3 pontos contra Warnock.

Nesse contexto, de um presidencial encerrada e um senatorial sem grandes maiorias, várias associações para a participação do voto latino têm enfatizado que este grupo pode ser decisivo na disputa.

"Os latinos na Geórgia estão prontos para este momento da história para que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas neste segundo turno", afirmou Jerry González, CEO da associação GALEO.

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