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(Arquivo) Os protestos, que, de abril a julho, deixaram mais de 120 mortos, exigiam a saída do presidente Nicolás Maduro

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A uma semana das eleições regionais, em que o governo e a oposição disputam 23 estados da Venezuela, a apatia domina o ambiente, em meio a uma grave crise econômica e à frustração após quatro meses de protestos.

O músico Ángelo Capacho, 26, diz que não votará, porque não vê um "discurso claro" por parte dos líderes opositores.

"Chamavam à desobediência; depois, saíram com eleições regionais e a rua se esvaziou. De que valeram tantos mortos? Sinto que se trata de uma luta por fatias do poder", declarou à AFP.

Os protestos, que, de abril a julho, deixaram mais de 120 mortos, exigiam a saída do presidente Nicolás Maduro, mas perderam força com a instalação, em agosto, da Assembleia Nacional Constituinte, convocada por Maduro e integrada exclusivamente por governistas.

Maduro prometeu que a Constituinte, considerada uma fraude pela oposição e não reconhecida pelos Estados Unidos e por vários governos latinos e europeus, seria a "solução definitiva" para os problemas econômicos do país.

Analistas apontam, no entanto, que a situação piorou, e que a Venezuela pode experimentar este ano uma queda do PIB de entre 12% e 14% e uma inflação de 1.200% a 1.400%, segundo a empresa Ecoanalítica.

Estas são as razões para votar, diz o alfaiate Enrique Raúl, 79. "Temos que sair para votar. Em 45 anos, nunca vi tanta gente revirando lixo. É uma pena", declarou à AFP.

- A sombra da abstenção -

Nas eleições regionais de dezembro de 2012, a abstenção foi de 46,06%. O chavismo conquistou, então, 20 dos 23 governos. Mas a oposição diz ter certeza de que pode reverter o mapa político eleitoral.

"Se não votarmos, daremos mais força ao governo. Nas últimas, não votei, e o governo ficou com a maioria dos governos", assinala Raúl.

Em dezembro de 2015, a oposição acabou com 18 anos de hegemonia governista ao conquistar a maioria no Parlamento. Mas o Supremo Tribunal de Justiça, acusado de servir ao governo, anulou as decisões do Legislativo, acusando o mesmo de "desacato".

Raúl está convencido de que os opositores continuam sendo maioria. "Isto ficou claro nas eleições para a Assembleia Nacional", assinala.

O escritor e professor universitário Francisco Suniaga afirma que, "neste tipo de eleição, sempre houve menos entusiasmo", mas advertiu que, no atual contexto político, "um eleitor que se abstiver estará favorecendo o governo".

O governo movimenta sua máquina para conquistar, principalmente, o voto dos funcionários públicos e de setores populares beneficiados por subsídios.

"Corremos o risco de conquistar os 23 governos, estamos às portas de uma vitória histórica da revolução. Já a oposição, começou a cantar fraude", disse Maduro neste domingo em seu programa de TV.

A oposição multiplicou os chamados a votar. "Não é o momento de se distanciar da política", disse o ex-candidato à presidência Henrique Capriles, durante um ato em Vargas (norte).

- Desconfiança -

Mildred Varela, 42, não acredita na justiça eleitoral, motivo pelo qual não sabe se comparecerá no próximo domingo às urnas.

A desconfiança envolvendo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), acusado de servir ao chavismo, ganhou força depois que a empresa Smartmatic, que deu suporte tecnológico em várias eleições, denunciou uma manipulação dos resultados na votação da Constituinte.

"Estou esperando até o último momento para decidir se irei votar. Vai depender de como estiver o ambiente nesse dia. Faz falta uma injeção de ânimo. A oposição tem este dever", diz o administrador de empresas Carlos, 35.

A opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD) acusa o CNE de buscar favorecer o governo ao não permitir que o partido substitua os candidatos que havia inscrito inicialmente.

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AFP