Para Shinzo Abe, o primeiro-ministro japonês, os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2020 eram uma grande aposta para simbolizar a reconstrução de seu país. Agora, com o adiamento para 2021, será preciso esperar para saber o efeito político dos acontecimentos no Japão.

Em 2016, Shinzo Abe se liberou parcialmente da imagem de homem frio durante a cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos do Rio, onde apareceu disfarçado de Super Mario saindo de um cano, em referência ao popular personagem de videogame japonês da Nintendo.

A brincadeira, orquestrada para a simbólica entrega da bandeira olímpica da Rio-2016 para Tóquio-2020, mostrou o compromisso pessoal do político com a organização do evento, que serviria de ponto de exclamação de seu mandato.

Agora, o homem que ostenta o recorde de longevidade no cargo de primeiro-ministro do Japão tem a possibilidade de salvar seu país de uma ameaça dupla, da pandemia do coronavírus e da decorrente crise econômica que promete afetar o planeta. Isso poderia até ajudá-lo a prolongar seu mandato para além de setembro de 2021, acreditam vários especialistas.

Abe apostou pesado nos Jogos Olímpicos e tornou o evento em um símbolo da reconstrução nacional depois do terremoto, o devastador tsunami e a catástrofe nuclear de Fukushima, em 2011.

Mas a rápida propagação da Covid-19 se mostrou um desafio político para Abe, tornando a organização dos Jogos Olímpicos um risco e obrigando que o evento fosse adiado para 2021.

Para Tobias Harris, vice-presidente da empresa de assessoria Teneo, a mudança de datas permite "evacuar uma fonte de incerteza para o governo e poderia até reforçar a popularidade de Abe nas pesquisas, já que uma ampla maioria da população era favorável ao adiamento".

O Japão, até o momento, conseguiu controlar os efeitos do coronavírus em seu território, com 1.300 casos registrados e 35 mortes, números distantes da catástrofe de saúde que vivem outros países.

- Pressão econômica -

O governo de Shinzo Abe é aprovado por cerca de 50% das pessoas interrogadas nas pesquisas mais recentes.

O primeiro-ministro se beneficia de uma falta de possíveis adversários políticos, tanto em seu partido como na oposição, que está dividida. Apesar de uma série de escândalos de corrupção, uma economia com problemas e leis impopulares, seu governo nunca esteve ameaçado.

A nuvem mais escura que surge no horizonte de Shinzo Abe é a crise econômica esperada pós-pandemia de coronavírus. Os analistas estimam pouco provável que o adiamento olímpico tenha consequências econômicas duradouras e acreditam que os benefícios chegarão em parcelas com o passar do tempo.

"Depois do golpe, os Jogos Olímpicos serão considerados como um episódio menor da pandemia de Covid-19", prevê Robert Dujarric, diretor do Instituto de Estudos Asiáticos da Universidade Temple, de Tóquio.

- Jogos são "triunfo simbólico" -

De acordo com os analistas, o risco para Abe está agora em que a propagação do coronavírus adquira uma maior gravidade no Japão. No início da crise, o governo de Abe já havia sido criticado por uma gestão passiva demais.

Diferentemente de outros países, o Japão ainda não decretou o confinamento de sua população e não foi ágil o suficiente para aplicar restrições na entrada de pessoas em seu território. As autoridades afirmam que seguem atentamente a evolução do problema e que as medidas tomadas, como o fechamento de escolas, permitiram conter a propagação do vírus.

Contudo, a governadora de Tóquio, Yuriko Koike, alertou na semanas passada que o número de infectados na capital aumentava, pedindo à população que evite neste fim de semana saídas às ruas não essenciais.

O primeiro-ministro "ainda está em posição de força, como mostram as enquetes. Mas isso vai mudar se o Japão for duramente afetado pela pandemia", alertou Tetsuro Kato.

Os Jogos Olímpicos de Tóquio em 2021 poderiam constituir, por outro lado, "uma etapa importante da recuperação do mundo pós-pandemia", concluiu Tobias Harris.

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