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Discussão de mudanças climáticas: uma longa viagem iniciada pela comunidade internacional em 1988

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O Acordo de Paris contra as mudanças climáticas é o resultado de uma longa viagem iniciada pela comunidade internacional em 1988.

- A conscientização:

- 1988: Criação sob os auspícios da ONU de um Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), encarregado de fazer a síntese dos conhecimentos científicos sobre o aquecimento global.

- 1990: Primeiro relatório do IPCC, que mostra que os gases de efeito estufa ligados às atividades humanas aumentam e correm o risco de intensificar o aquecimento global. Quatro outros relatórios serão publicados em 1995, 2001, 2007 e 2014.

- 1992: A "Cúpula da Terra" do Rio de Janeiro elabora a Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre a Mudança do Clima (UNFCCC) e faz um apelo para uma redução voluntária das emissões de gases de efeito estufa.

A Conferência das Partes da convenção (COP), que reúne todos os países signatários (195 países e a União Europeia) se reúne anualmente para tentar avançar na luta contra o aquecimento global.

- Kyoto, uma ratificação trabalhosa

- 1997: Adoção do Protocolo de Kyoto que impõe aos países industrializados de reduzir até 2012 suas emissões de gases de efeito estufa de 5,2% com relação a 1990. Ele não se aplica aos grandes emergentes como a China, a Índia e o Brasil. Os Estados Unidos, então o país maior poluidor do mundo, se recusaram a ratificar o acordo em 2001.

- 2005: O Protocolo de Kyoto entra em vigor em fevereiro, após ter sido ratificado pela Rússia em 2004.

Em novembro, a Conferência de Montreal (COP11) coloca o protocolo em prática, o que torna possível a criação de mercados de carbono.

- 2006: A China se torna, no lugar dos Estados Unidos, primeiro emissor de CO2 do mundo, seguidos pela União Europeia, Índia, Rússia, Japão, Coreia do Sul, Canadá, Indonésia, Arábia Saudita, Brasil, México, Irã e Austrália.

- 2007: O 4º relatório do IPCC considera a partir de então "irrefutável" e "inequívoco" o aquecimento global em curso, tendo como consequências previsíveis a multiplicação dos eventos extremos e a elevação do nível dos oceanos em dezenas de centímetros até o final do século.

Em outubro, o IPCC recebe, com o ex-vice-presidente dos Estados Unidos Al Gore, o Prêmio Nobel da Paz. No entanto, o grupo vê sua reputação abalda após a descoberta de erros no quarto relatório, incluindo a alegação de que as geleiras do Himalaia "poderiam desaparecer até 2035".

- De Copenhague à COP21 -

- 2009: Em dezembro, ocorre o grande encontro climático de Copenhague. A conferência não atende às expectativas, mas culmina num acordo político negociado 'in extremis' que envolve pela primeira vez China e Estados Unidos.

O texto estabelece como objetivo limitar a alta da temperatura do planeta em 2º com relação à era pré-industrial, mas continua evasivo sobre os meios para realizar isso.

Ele também prevê uma ajuda de 100 bilhões de dólares ao ano até 2020 para apoiar as políticas climáticas dos países mais pobres.

- 2010: O Acordo de Cancún (México) apresenta a criação de um Fundo Verde para ajudar os países em desenvolvimento a lidar com o aquecimento global, mas a questão das fontes de financiamento não fica ajustada.

- 2014: O quinto relatório do IPCC prevê um aumento da temperatura global até o fim deste século de 3,7º a 4,8°C em relação a 1850-1900 se nada for feito para contrariar esta tendência.

Negociações custosas são realizadas em Lima para encontrar um consenso até dezembro de 2015 sobre um texto destinado a assumir o papel do Protocolo de Kyoto a partir de 2020.

- Dezembro de 2015: um acordo inédito para lutar contra o aquecimento global, cuja velocidade ameaça o planeta com catástrofes climáticas, é adotado sob uma salva de palmas por 195 países, após vários anos de árduas negociações.

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