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Peregrinos muçulmanos na Grande Mesquita, em Meca, em 14 de setembro de 2016

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A Arábia Saudita anunciou que frustrou um atentado contra a Grande Mesquita de Meca, ao prender cinco pessoas e encurralar um homem-bomba no complexo do principal local sagrado do islã, onde milhares de fiéis celebravam o fim do Ramadã.

"As forças de segurança frustraram na sexta-feira uma ação terrorista iminente contra a segurança da Grande Mesquita e seus fiéis", afirmou neste sábado o porta-voz do ministério do Interior, o general Mansur Al-Turki.

Onze pessoas - seis peregrinos estrangeiros e cinco policiais - ficaram feridas no desabamento parcial de um prédio de três andares onde estava entrincheirado o terrorista suicida que se explodiu, afirmou o ministério do Interior em um comunicado.

Na véspera, milhares de peregrinos estavam na Grande Mesquita para celebrar a última sexta-feira do Ramadã, o mês do jejum muçulmano.

O ataque foi condenado por vários países, entre eles Catar e Irã, rivais da Arábia Saudita.

O Catar expressou solidariedade com "o irmão saudita" em um comunicado do ministério das Relações Exteriores, apesar da profunda crise diplomática entre os dois países, desde que a Arábia Saudita passou a acusar o Catar de "apoiar o terrorismo".

O Irã, que também tem uma relação tensa com a Arábia Saudita, condenou o ataque e afirmou que está disposto a "cooperar" na luta contra os "traficantes de morte".

A Al-Azhar, a principal instituição do islã sunita com sede no Egito, condenou o atentado e expressou apoio a Riad "na luta contra o terrorismo até sua erradicação".

O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Abul Gheit, condenou uma tentativa de "aterrorizar os inocentes".

Segundo o porta-voz saudita, o homem-bomba integrava um "grupo terrorista" estabelecido em Meca e Jidá, a capital econômica do país. Cinco membros do grupo, incluindo uma mulher, foram detidos.

Os policiais invadiram o edifício onde o homem-bomba estava entrincheirado, mas "infelizmente começou a disparar contra as forças de segurança uma vez que constatou a sua presença, o que provocou uma troca de tiros e depois ele provocou a explosão", explicou o porta-voz do governo.

Os feridos são cinco residentes estrangeiros na Arábia Saudita, que cumpriam a umra, uma peregrinação menor à Meca, e cinco policiais.

Dois peregrinos estrangeiros permanecem hospitalizados e os outros quatro receberam alta.

O porta-voz do governo indicou que o grupo terrorista queria atacar "o local mais sagrado" dos muçulmanos, com um "plano liderado do exterior com o objetivo de atentar contra a segurança e a estabilidade" do reino saudita.

O general Mansur Al-Turki, no entanto, não citou nenhum país em particular.

Também recordou que "várias células terroristas foram desmanteladas nos últimos dois anos em Meca e seus arredores", acrescentando que seu objetivo era "testar a capacidade (das autoridades) do reino de garantir a segurança dos peregrinos".

Este foi o segundo ataque em menos de um ano contra um local sagrado do islã na Arábia Saudita.

Em julho de 2016, um ataque perto da mesquita de Maomé em Medina, o segundo lugar sagrado do Islã, matou quatro guardas.

Em 20 de novembro de 1979 foi registrado um grande atentado em Meca, quando integristas muçulmanos sunitas ocuparam a Grande Mesquita. Após 14 dias, as autoridades ordenaram uma operação para expulsar os agressores e 333 pessoas morreram, segundo o balanço oficial.

AFP