A coalizão liderada pela Arábia Saudita anunciou o indiciamento de alguns de seus militares suspeitos de terem cometido abusos durante ataques no Iêmen, onde as Nações Unidas denunciam uma série de crimes de guerra.

Os indiciamentos, anunciados na quarta-feira, serão os primeiros desde que a coalizão, que inclui os Emirados Árabes, iniciou sua intervenção no Iêmen, em março de 2015, em apoio às forças do governo iemenita contra os rebeldes huthis, apoiados pelo Irã.

No momento, foram fornecidos poucos detalhes sobre quais serão os tribunais encarregados do assunto, o número de acusados ou suas nacionalidades.

Durante sua visita a Londres, o porta-voz da coalizão, o coronel saudita Turki Al Maliki, disse que "as autoridades judiciais iniciaram os processos" e que "as sentenças serão anunciadas assim que forem definitivas".

O coronel Maliki acrescentou que esses processos foram iniciados com base em investigações conduzidas pela "Equipe Conjunta de Avaliação de Incidentes" (JIAT).

Sob pressão internacional, a coalizão estabeleceu essa equipe para investigar de forma independente as irregularidades cometidas por suas forças durante as operações no Iêmen, onde vastas áreas, incluindo a capital Sanaa, estão nas mãos dos rebeldes.

Entre os eventos analisados pela JIAT, está o bombardeio em 2016 de um hospital em uma zona rebelde onde a organização Médicos Sem Fronteiras trabalhava, um ataque que deixou 19 pessoas mortas.

Também é investigado um ataque aéreo contra um ônibus, no qual 50 pessoas morreram, incluindo 40 crianças.

Este ataque na cidade de Dahyan, no norte do país controlado pelos huthis, provocou protesto internacional.

- Ninguém tem mãos limpas -

A coalizão prometeu cobrar os responsáveis por "violações do direito internacional humanitário - se comprovadas - de acordo com as leis e regulamentos de cada país membro da coalizão", afirmou o coronel Maliki, segundo a agência oficial saudita SPA.

A coalizão é composta por vários países muçulmanos, mas seus pilares são a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos, que mobilizaram seus aviões para intervir em operações militares no Iêmen.

"Ninguém tem mãos limpas neste conflito", disse um dos especialistas das Nações Unidas, Charles Garraway, durante a apresentação em 3 de setembro em Genebra de um relatório sobre crimes de guerra no Iêmen.

O grupo de especialistas, criado pelo Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas em 2017, identificou, na medida do possível, "as pessoas que poderiam ser responsáveis por crimes internacionais e transmitiram esses nomes", que permanecem confidenciais, à alta comissária para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

Ataques e disparos aéreos dirigidos indiscriminadamente contra a população civil, uso da fome como arma de guerra, tortura, estupro, detenções arbitrárias, desaparecimentos forçados, recrutamento de crianças menores de 15 anos são os criminosos de guerra que teriam sido cometidos no Iêmen.

Desde 2014, o conflito causou dezenas de milhares de mortes, a maioria entre civis, e mergulhou o Iêmen, o país mais pobre da península Arábica, na pior crise humanitária do mundo, segundo a ONU.

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