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Opep pena para acordar redução da produção de petróleo

O ministro saudita da Energia, Khaled al-Faleh, participa da reunião da Opep em Viena

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Os países da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) concluíram, nesta quinta-feira (6), em Viena, uma primeira rodada de negociações sem chegar a um acordo sobre o nível de redução de produção para frear a queda dos preços, criticado por Donald Trump.

Depois de várias horas de negociações entre os membros da Opep, o ministro saudita da Energia, Khaled al Faleh, surpreendeu-se ao manifestar dúvidas sobre a possibilidade de um acordo final.

"Não, não confio", disse o ministro, questionando se acreditava na conclusão de um acordo, afirmando que as negociações estagnaram na hora de estabelecer as cotas de redução de produção entre os 14 países da organização.

Em um fato raro nesta reunião semestral na sede da Opep, a coletiva de imprensa agendada após a reunião foi cancelada.

Na sexta-feira, outra reunião está agendada entre a Opep e seus parceiros, com a Rússia na liderança. Esses dois grupos, que representam mais da metade da oferta mundial, caminham juntos desde o fim de 2016 com um acordo de limitação de produção.

"Esperamos chegar a um acordo amanhã", disse o ministro do Petróleo iraquiano, Thamer al Ghadbane.

- Tentativa de equilibrar -

O cartel, que produz cerca de um terço do petróleo do mundo, quer buscar a fórmula mágica que convença um mercado volátil, no qual os preços caíram 30% em dois meses.

"Buscamos uma redução suficiente para equilibrar o mercado", disse o ministro saudita de Energia, Khaled al Faleh, peso-pesado da organização, antes do início da reunião.

Al Faleh defendeu uma redução de produção de "um milhão de barris por dia" na quinta-feira. Mas este nível, inferior às expectativas dos mercados, provocou uma nova queda dos preços nas bolsas europeias - o barril de crude Brent chegou a ficar abaixo de US$ 60.

"A Arábia Saudita sugeriu uma redução menor na produção do que o consenso estimado", explicou David Madden, analista da CMC Markets.

Embora Riad tenha de encontrar um equilíbrio diante de seu aliado americano, o ministro saudita assegurou que o cartel não deixará seu comportamento ser ditado.

Washington "não está em posição de nos dizer o que devemos fazer", disse ele à imprensa.

"Eu não preciso da permissão de ninguém para diminuir" a produção, acrescentou.

Na véspera do encontro, o presidente americano, Donald Trump, que pressiona a Opep há vários meses, pediu à organização que não eleve os preços, ao pensar nos consumidores americanos.

Já o ministro iraniano do Petróleo, Bijan Namdar Zanganeh, contrário à redução da produção em seu país devido às sanções dos Estados Unidos, ironizou hoje o tuíte de Trump.

"É a primeira vez que um presidente dos Estados Unidos diz à Opep o que tem que fazer", comentou ele. O governo do país teria que "saber que a Opep não faz parte do Departamento de Energia americano", continuou.

O ministro estimou que a maioria dos países da Opep defende um preço do petróleo "entre 60 e 70 dólares" por barril.

- Papel crucial da Rússia -

Já o ministro russo da Energia, Alexander Novak, que deve participar da reunião de sexta-feira em Viena, disse hoje, de São Petersburgo, que seu país está "acompanhando a situação real e a avaliação real do mercado".

Mas ele lembrou que, no meio do inverno, as "condições climáticas" russas tornavam "muito mais difícil reduzir (a produção) do que para outros países", sugerindo que um possível esforço de Moscou seria feito mais tarde.

Para os analistas do Commerzbank, "a Rússia terá um papel fundamental neste contexto".

Na quarta-feira, a corretora de Londres PVM estimou que a ausência de uma redução na produção provocaria "um frenesi de vendas de proporções bíblicas e garantiria o retorno a uma superabundância global de petróleo".

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