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Fronteira entre o Catar e a Arábia Saudita, em Abu Samrah, no dia 23 de junho de 2017

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A Arábia Saudita e seus aliados lamentaram, ao final de uma reunião no Cairo, a resposta negativa do Catar a sua lista de condições para pôr fim à crise e anunciaram a manutenção de suas sanções.

Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito romperam em 5 de junho com este pequeno emirado rico em gás, que eles acusam de apoiar o "terrorismo" e de manter relações muito próximas com o Irã, grande rival de Riad no Oriente Médio.

Por esta razão, impuseram uma série de sanções econômicas a Doha.

Para encerrar a crise, os quatro países enviaram ao Catar uma lista de 13 exigências, incluindo o fechamento de uma base militar turca e da televisão Al-Jazeera, que consideram muito agressiva, bem como a redução das relações de Doha com o Irã.

O Catar, que rejeita as acusações de terrorismo, respondeu formalmente a essas demandas em uma mensagem enviada na segunda-feira ao Kuwait, que desempenha o papel de mediador.

Após sua reunião no Cairo, os chanceleres dos quatro países expressaram em um comunicado "o seu pesar pela resposta negativa do Catar, que demonstra negligência e falta de seriedade (...) sobre a revisão das suas políticas e práticas".

"Isto reflete uma falta de compreensão da gravidade da situação" da parte de Doha, ressaltou, em coletiva de imprensa, o chanceler egípcio Sameh Choukri.

"Não é mais possível tolerar o papel de sabotador desempenhado pelo Catar" em conflitos regionais, acrescentou.

Ele indicou que os quatro ministro decidiram realizar a próxima reunião em Manama, capital do Bahrein, em uma data não informada.

- 'Boicote mantido' -

O ministro das Relações Exteriores saudita, Adel al-Jubeir, afirmou no Cairo que as sanções seriam mantidas e advertiu que outras podem ser adotadas.

"O boicote a Doha vai continuar e vamos agir no momento adequado", disse ele.

Na parte da manhã, o chefe da diplomacia do Catar, Mohamed ben Abderrahmane Al-Thani, declarou em Londres que seu país estava pronto "para participar de um processo de negociação, desde que inserido em um quadro claro que garanta a sua soberania".

No entanto, ele denunciou as sanções contra Doha, que representam "uma agressão óbvia e um insulto a todos os tratados internacionais".

Na terça-feira, ele considerou a lista de exigências "irrealista e inadmissível". Esta lista "não é sobre o terrorismo, pede o fim da liberdade de expressão", disse ele.

Doha também considera que os seus vizinhos tentam minar a sua soberania na política externa.

- Diálogo -

Em um encontro com o presidente egípcio Abdel Fattah al-Sissi, o presidente americano Donald Trump pediu nesta quarta-feira "negociações construtivas entre todas as partes para resolver a disputa" e "reiterou a importância de todos os países respeitarem os compromissos para interromper o financiamento do terrorismo e desacreditar a ideologia extremista".

De acordo com a agência de notícias kuwaitiana KUNA, o secretário de Estado americano Rex Tillerson telefonou ao emir do Kuwait, xeque Sabah Al-Ahmad Al-Sabah, para garantir "o apoio dos Estados Unidos em seus esforços" de mediação entre os seus vizinhos do Golfo.

Vários países e o Conselho de Segurança da ONU pediram diálogo para resolver esta crise no Oriente Médio, já sacudido por numerosos conflitos.

Além das sanções, a Arábia Saudita fechou a única fronteira terrestre do Catar, forçando o país a voltar-se para o Irã e Turquia para suas necessidades de importação de alimentos por via aérea ou marítima.

Justificando os "riscos econômicos e financeiros decorrentes da disputa", que "é improvável que seja resolvida rapidamente", a agência de classificação Moody'c confirmou a nota de rating do Catar, mas reduziu sua perspectiva de "estável" para "negativa".

Apesar das sanções, Doha, maior exportador de gás natural liquefeito (GNL), anunciou sua intenção de aumentar a produção de gás, de 77 milhões de toneladas para 100 milhões de toneladas em 2014.

AFP