Navigation

Arce apela para antigas fórmulas de Morales para superar recessão na Bolívia

Foto divulgada pela Agência Boliviana de Informação (ABI) mostra novo presidente da Bolívia Luis Arce discursando no Congresso em La Paz, na sua posse em 8 de novembro 2020. afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. dezembro 2020 - 17:23
(AFP)

Um mês depois de assumir o poder, o presidente esquerdista Luis Arce busca tirar a Bolívia da recessão usando fórmulas antigas de seu mentor, o ex-presidente Evo Morales.

O ministro da Economia, Marcelo Montenegro, prometeu retomar a trajetória de Morales, com participação ativa do Estado na economia.

"Vamos reconstruir o modelo econômico (...), que é um modelo baseado na atividade produtiva do país, resgatando a comunidade. Vamos reativar e melhorar o investimento público (...), retomar projetos de industrialização" , explicou Montenegro.

O governo de Arce começou a pagar há poucos dias o auxílio "Bono contra el Hambre", primeira iniciativa para tentar reverter a complexa situação de muitas famílias bolivianas.

Durante a campanha, Arce havia prometido o pagamento único de 1.000 bolivianos, cerca de US$ 144, o dobro do concedido pelo governo da ex-presidente interina Jeanine Áñez em meio à pandemia do novo coronavírus, como mecanismo para reativar o mercado interno.

O "Bono contra el Hambre" atinge cerca de quatro milhões de bolivianos e injetará cerca de US$ 587 milhões na economia até março de 2021.

- Diagnóstico -

O presidente Luis Arce apresentou um cenário econômico desolador na segunda-feira.

"Estamos diante de um déficit fiscal muito profundo, nem mesmo visto em tempos de hiperinflação dos anos 1980", afirmou o presidente, em referência ao dramático período de 11.000% de inflação anual.

Para 2020, o déficit fiscal projetado ultrapassa 12% do PIB.

"Hoje temos a recessão econômica mais profunda da história, aumento da pobreza, desigualdade e aumento exponencial da dívida interna e externa", acrescentou o presidente.

Apesar de reconhecer que a pandemia do coronavírus é uma das principais causas da crise, Arce também culpou sua antecessora de direita Áñez, que governou o país por um ano entre a renúncia de Morales e a posse do novo presidente em 8 de novembro.

"Eles desmantelaram o Estado Plurinacional e destruíram o modelo econômico social da comunidade produtiva, um dos mais bem-sucedidos da América e definido por muitos economistas estrangeiros como o modelo econômico socialista de maior sucesso do mundo, chamado de 'milagre boliviano", ressaltou Arce, que era ministro da Economia do governo Morales.

O opositor Branko Marinkovic, que era ministro da Economia de Áñez, recusou essas críticas: "O presidente Arce diz que encontrou um Estado falido. A verdade é que ele encontrou o que havia deixado!".

A oposição a Arce afirma que a deterioração econômica não começou com a pandemia, mas sim em 2014, quando era ministro, com um déficit fiscal de 3,4% que crescia anualmente para 8,32% em 2018.

Com 11 milhões de habitantes, a Bolívia registra 145.000 casos do novo coronavírus e 9.000 mortes. Uma longa quarentena paralisou as atividades produtivas.

O Ministério da Economia e o Banco Central entraram em acordo na segunda-feira sobre um programa financeiro e ajustaram as projeções macroeconômicas com uma retração de 8,4% do PIB para 2020, um déficit das finanças públicas de 12,3% do PIB e uma inflação de 1,1%.

Partilhar este artigo