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A presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto próxima ao jornalista Horacio Verbitsky em Buenos Aires, no dia 8 de agosto de 2017

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Organismos de direitos humanos qualificaram nesta terça-feira de "desaparecimento forçado" o sumiço há uma semana de um jovem que se juntou a um protesto mapuche no sul da Argentina, e responsabilizaram a Gendarmeria e o Estado por sua detenção.

"É dramático que na democracia mais longa de nossa história tenhamos que anunciar o desaparecimento forçado de alguém", disse em coletiva a presidente das Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto.

As entidades humanitárias convocaram uma concentração na próxima sexta-feira, na Praça de Maio, para reivindicar o "aparecimento com vida de Santiago Maldonado".

Carlotto também pediu "garantias" para que "as testemunhas, os defensores dos direitos humanos e os membros da comunidade mapuche" possam depor "sem correr riscos".

Segundo testemunhas, Santiago Maldonado, de 27 anos, foi colocado em um veículo da Gendarmeria em 1º de agosto por agentes, durante a dispersão violenta de um protesto de uma comunidade mapuche na província de Chubut.

O Ministério da Segurança ofereceu uma recompensa de 500.000 pesos "a quem fornecer dados para encontrar" Maldonado, mas disse ter recebido um relatório da Gendarmeria que assegura "não ter detido o jovem".

O grupo de trabalho da ONU sobre desaparecimento forçado se pronunciou na segunda-feira e pediu "uma ação urgente do Estado para procurá-lo e encontrá-lo, e para identificar os responsáveis".

Para os organismos humanitários, "fica claro que é um desaparecimento forçado [...] por um órgão do Estado", disse a presidente da Assembleia Permanente de Direitos Humanos (APDH), Norma Ríos.

Segundo testemunhas, quando os agentes começaram a dispersão, alguns manifestantes fugiram e cruzaram um rio, mas Maldonado, que não era do local e não sabia nadar, se escondeu entre arbustos, onde teria sido pego pelos policiais.

"Santiago foi perseguido pelas forças da Polícia e, portanto, não podem dizer que não tiveram nada a ver", afirmou o prêmio Nobel da Paz Adolfo Pérez Esquivel à Radio 10.

Acrescentou que o destino de Maldonado "é responsabilidade do Estado, de [presidente, Mauricio] Macri e de [ministra da Segurança, Patricia] Bullrich" e exigiu o seu "aparecimento com vida".

AFP