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A presidente da associação Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, durante entrevista com a AFP em Buenos Aires, no dia 18 de maio de 2016

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Um juiz ordenou nesta quinta-feira a detenção da líder da organização argentina Mães da Praça de Maio, Hebe de Bonafini, que se negou a se apresentar para depor ante a justiça pela segunda vez em um caso de suposto desvio de recursos públicos.

É preciso "aprender a respeitar a Justiça", destacou o governo do presidente Mauricio Macri, alvo de todas as críticas entre as milhares de seguidores e militantes kirchneristas que expressaram seu apoio a Bonafini na porta da sede da organização.

O juiz Marcelo Martínez de Giorgi, encarregado do caso, ordenou a detenção, confirmou à AFP seu secretário, depois que Bonafini, de 87 aos, se negou a comparecer perante tribunal.

O magistrado considerou injustificada a ausência da senhora e ordenou a detenção para interrogá-la para depois decidir se ela ficará presa ou se permanecerá em liberdade enquanto resolve sua situação judicial.

"Se tiverem que me prender, que me prendam", desafiou a veterana ativista apoiada por uma multidão na praça de Buenos Aires, onde marcha há 40 anos pedindo justiça pelos filhos desaparecidos na ditadura militar argentina (1976-83).

A ordem de detenção coincidiu com a hora em que, toda quinta-feira, as idosas entram em uma caminhonete para percorrer 3 km até a Praça de Maio, no centro, onde, com as cabeças cobertas com lenços brancos, fazem uma emotiva caminhada com uma grande bandeira, que este ano traz os dizeres: "a falta de trabalho também é um crime".

"Poderão nos prender, mas não poderão prender o pensamento", disse Bonafini a centenas de seguidores e vários ex-ministros do gabinete da ex-presidente Cristina Kirchner (2007-2015), que se aproximaram para acompanhar este 'símbolo' argentino, que divide a sociedade entre o amor e o ódio à sua figura.

O juiz Martínez de Giorgi investiga supostas irregularidades no mecanismo de construção de moradias sociais do programa Sonhos Compartilhados das Mães da Praça de Maio, que contou com financiamento do Estado durante os governos de Néstor e Cristina Kirchner (2003/2015).

O programa, um gigantesco empreendimento que construía milhares de casas, escolas e centros médicos em bairros carentes, foi cortado em 2011 após um escândalo causado por denúncias de corrupção envolvendo o plano que chegou a administrar 170 milhões de dólares (US$ 53 milhões hoje, após a desvalorização).

Nem Bonafini, nem as Mães da Praça de Maio tinham sido denunciadas por serem consideradas vítimas da fraude pelo juiz anterior encarregado do caso.

Bonafini tinha adiantado que faltaria à intimação do juiz em uma carta enviada ao seu advogado, Juan Manuel Morente.

A mulher, que perdeu os dois filhos - Raúl e Jorge -, além de sua nora, nas mãos dos militares durante a ditadura reforçou que "sempre" sofreu "a mesma ignomínia, a mesma indiferença" de parte da Justiça e que por isso não se apresentará a nenhum tribunal.

"Não vamos deixar que avancem sobre nós". "Querem nos fazer desaparecer", disse Bonafini para simpatizantes, entre os quais estavam vários ex-ministros e ex-funcionários de Cristina Kirchner (2007-2015).

Ela afirmou que a administração do novo governo argentino "fez demais em sete meses, sendo assim, Macri, detenha-se", pediu.

Mas o chefe de gabinete de Macri, Marcos Peña, considerou que condutas como as de Bonafini, "têm a ver com o fim da sensação de impunidade".

Ele avaliou a negativa da idosa como uma "reação de gente que tinha se acostumado a ficar acima da lei".

Para ordenar sua detenção, o juiz declarou Bonafini oficialmente em "revelia".

Um cordão humano impediu uma batida na entrada da sede das Mães, localizada a 200 metros do Congresso e facilitou a saída das mulheres, que entraram no veículo e evitaram dezenas de gendarmes e carros policiais que acompanhavam a operação.

"As Mães são um exemplo de vida e merecem outro tratamento, sobretudo Hebe", disse à AFP Romina, uma funcionária judicial de 30 anos, que se somou à manifestação na Praça de Maio.

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AFP