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A presidente argentina Cristina Kirchner discursa durante a cerimônia de abertura do "Lugar da Memória", onde funcionou um dos maiores centros de detenção da última ditadura (1976-83), em Buenos Aires, no dia 19 de maio de 2015

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A presidente argentina, Cristina Kirchner, pediu à população que mantenha viva a luta pelos direitos humanos, durante a inauguração nesta terça-feira do "Lugar da Memória", onde funcionou um dos maiores centros de detenção da última ditadura (1976-83).

"Os 40 milhões de argentinos têm a responsabilidade de garantir o respeito dos direitos humanos, da memória e da justiça. Não podem ficar apenas nas mãos de um governo, ou da justiça", disse Kirchner, visivelmente emocionada durante o ato realizado em Buenos Aires.

No evento, Cristina Kirchner esteve acompanhada de Hebe de Bonafini e Estela de Carlotto, presidentes das organizações Mães e Avós da Plaza de Mayo, dois símbolos da luta pelos direitos humanos durante o regime.

Segundo organismos humanitários, a ditadura deixou mais de 30 mil desaparecidos.

"Hoje aqui, há uma vitória da vida sobre a morte, da memória sobre o esquecimento, da pátria sobre a anti-pátria", disse Kirchner.

O "Sitio de la Memoria" propõe aos visitantes da antiga Escola Superior de Mecânica da Armada (Esma) um passeio por lugares tenebrosos desse ex-campo de detenção clandestina.

Além de serem torturadas, várias presas deram à luz no local e tiveram seus bebês roubados e entregues a pessoas próximas dos militares. Estima-se que pelo menos 500 crianças tenham sido separadas de seus pais. Destas, 116 conseguiram recuperar sua verdadeira identidade. Suas histórias são uma das páginas mais dramáticas dos anos de chumbo na Argentina.

Por esse imóvel, situado em um bairro residencial da zona norte de Buenos Aires, passaram cerca de cinco mil opositores e apenas uma centena teria sobrevivido.

Da Esma, os presos eram levados drogados, em caminhões, para os chamados "voos da morte", de onde eram jogados no Rio da Prata.

O local foi recuperado pelo ex-presidente Néstor Kirchner (2004-2007), falecido marido da atual presidente, para ser transformado em um espaço de iniciativas culturais. Hoje, funcionam no prédio o Arquivo Nacional da Memória, o canal cultural Encuentro, e o infantil Paka Paka, escritórios dos organismos de direitos humanos e galerias de arte. Também há espaço para a realização de recitais.

AFP