Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

A presidente Cristina Kirchner é vista em 29 de julho de 2014, em Caracas

(afp_tickers)

Uma delegação da Argentina se reuniu nesta terça-feira em Nova York com o mediador judicial no litígio pelo pagamento da sua dívida soberana aos fundos especulativos, em uma das últimas tentativas para buscar uma saída negociada a horas de uma possível moratória.

"Esperamos que as negociações evoluam, mas não depende de nós", disse em Buenos Aires o chefe de gabinete argentino, Jorge Capitanich, antes de acontecer o encontro da comitiva com o mediador Daniel Pollack, designado pelo juiz federal americano, Thomas Griesa, para encontrar uma maneira de cumprir a decisão que obriga o país a pagar 1,33 bilhão de dólares.

A comitiva integrada pelo secretário de Finanças, Pablo López; pelo de Assuntos Legais e Administrativos, Federico Thea, e pela procuradora do Tesouro, Angelina Abbona, chegou aos escritório de Pollack no centro de Manhattan depois das 11h15 locais (11h15 de Brasília) sem dar declarações, constatou a AFP.

O governo argentino tem até quarta-feira, 30 de julho, para chegar a um acordo com os fundos que chama de "abutres". Esses fundos foram beneficiados por uma sentença na Justiça americana que permite a cobrança do valor integral dos títulos da dívida, simultaneamente àquela feita pelos credores da dívida reestruturada em 2005 e 2010.

No dia 26 de junho, a Argentina depositou pagamentos no valor de 539 milhões de dólares aos credores da dívida reestruturada, mas o juiz bloqueou o dinheiro depositado em Nova York, o que pode provocar uma moratória de parte da dívida emitida sob a legislação norte-americana.

A Argentina quer que o juiz restabeleça uma medida cautelar até o fim do ano que permita cancelar o pagamento da dívida renegociada com 92,4% dos credores que incluem remunerações de até 70% do valor nominal dos títulos em default em 2001.

A administração de Cristina Kirchner argumenta que um "stay" (suspensão da aplicação da decisão) até 2015 é a única saída para poder negociar com os fundos especulativos evitando a cláusula "Rufo" dos contratos renegociados, que impede o país de oferecer uma melhoria nas condições a um grupo de credores sem ter que estender os benefícios aos demais.

- Um sinal favorável? -

Na segunda-feira, Griesa autorizou o Citibank a realizar o pagamento de títulos argentinos reestruturados emitidos sob a legislação do país sul-americano, após considerar pela primeira vez que esses pagamentos não poderiam ser incluídos na sua sentença.

Após analisar a questão, e apesar do pedido dos litigantes para que o juiz impedisse a transferência, Griesa resolveu que o Citibank pode efetuar o pagamento que inclui títulos reestruturados em dólares sob legislação nacional e outros emitidos como parte do acordo com a espanhola Repsol pela estatização da petrolífera YPF.

"O tribunal não quer prejudicar o acordo com a Repsol", afirmou Griesa, ao responder a uma "moção de esclarecimento" apresentada pelo banco sobre a sua filial argentina.

Em meio à disputa com os fundos, o governo Kirchner concluiu na segunda-feira o primeiro pagamento de 642 milhões de dólares ao Clube de Paris como parte do acordo alcançado em maio com a entidade que reúne os credores.

A dívida total com o Clube de Paris chega aos 9,690 bilhões de dólares incluindo juros, segundo um relatório divulgado na página do Ministério da Economia na internet.

- Consequências de uma moratória -

Esta seria a segunda moratória da Argentina em 13 anos, depois de o governo ter declarado em 2001 a suspensão do pagamento de uma dívida de 100 bilhões de dólares, que representavam 166% do seu PIB.

O governo argentino insiste que no dia 30 de julho "não acontecerá nada" por se tratar de uma situação diferente, mas os especialistas alertam para uma série de consequências negativas para a frágil economia do país, entre elas maior desvalorização do peso e a inflação, além da marginalização dos mercados de capitais e da recessão.

Para Christopher Dembik, economista do Saxo Bank, haverá uma "desvalorização inevitável do peso", que já teve uma grande queda no início do ano; uma recessão que pode passar de 1 para 10% do PIB; e um isolamento internacional que acentuaria a carência de divisas estrangeiras.

Um relatório da consultora Abeceb.com apontou que "uma queda de 3,5% do PIB, com a inflação anual alcançando 41% e uma retração do consumo de 3,8%, são as principais variáveis para 2014 em caso de default".

Se houver acordo, o mesmo informe afirma que os indicadores teriam "um recuo de 1,5% do PBI, uma inflação de 34,5% e uma redução do consumo de 1,8%".

"Os argentinos sofrerão as consequências de outro default e, mais uma vez, se isolarão da comunidade internacional", opinou Joshua Rosner, do Graham Fischer.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.









Teaser Longform The citizens' meeting

Teaser Longform The citizens' meeting

The citizens' meeting

AFP