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Argentinos chegam a Brasília com traileres, em 4 de julho de 2014, véspera da partida contra a Bélgica

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Os argentinos, conhecidos por sua paixão pelo futebol e a poucas horas de uma partida decisiva contra a Bélgica nas quartas de final da Copa do Mundo, estão mais atentos à sorte da seleção do que à ameaça de moratória que cerca o país.

Neste sábado, a Argentina pode chegar às semifinais ou voltar para casa. Ao mesmo tempo, o país corre contra o relógio para resolver antes de 30 de julho o pagamento milionário aos fundos especulativos que ganharam um litígio nos Estados Unidos, para evitar uma possível moratória.

"Leio mais sobre futebol do que sobre o que está acontecendo com os 'abutres' nos Estados Unidos", disse à AFP Fernando, bancário de 34 anos que preferiu não revelar o sobrenome, ao se referir ao tema que compete com o Mundial na imprensa local.

A Argentina chama de "abutres" os fundos que compraram a dívida em default a um preço muito baixo e buscaram os tribunais para cobrar 100% do valor nominal dos títulos mais os juros.

O país venceu o Mundial em 1978 e 1986. A última vez que esteve nas quartas de final foi em 1990, na Itália, quando foi vice-campeão. Desde então, fracassou nesta fase em três oportunidades, duas delas em derrotas para a Alemanha.

"O futebol para mim é muito importante. É capaz de levantar o ânimo do país. O povo respira futebol. Sobre a dívida, pensaremos depois, quando terminar o Mundial. Aí veremos se a pagamos ou não", opinou Jorge Rodríguez, empresário de 33 anos.

A tranquilidade de Rodríguez contrasta com a tensão que cerca o governo desde a decisão do juiz americano que obriga o país a pagar pelos títulos em default, em dinheiro, a quantia de 1,33 milhão de dólares aos credores que não aceitaram renegociar a dívida em 2005 e 2010.

"O governo se aproveita do efeito que tem a Copa do Mundo sobre os argentinos para esconder os problemas de fundo, como o caso da dívida ou o processo do vice-presidente Amado Boudou por um caso de corrupção", afirmou Matías, estudante de 24 anos que também prefere não informar o sobrenome.

No entanto, Gabriel, advogado de 50 anos, considera que a festa e a paixão que o futebol desperta funcionam como cura, disse à AFP.

"O futebol cobre com um manto de piedade os problemas internos do país, e, além disso, une todas as classes sociais", afirmou, após supor que "ricos, pobres, jovens, velhos, crianças e até doentes em terapia intensiva alegram-se gritando um gol".

AFP