Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

A arquiteta marroquina Salima Naji é especialista em construir de uma forma a mesclar as questões ambientais com as tradições locais

(afp_tickers)

Um inesperado sopro de vento refrescante saúda os visitantes do novo centro de arquivos em Tiznit, nas montanhas do sul do Marrocos, ainda que sem a existência de um ambiente climatizado, em plena região cujo calor extremo aquece a parte externa da área construída.

Isto foi possível graças aos métodos ancestrais de construção usados por Salima Naji, uma arquiteta marroquina educada na França, especialista em construções que unem os conceitos de sustentabilidade e tradições locais.

Ao invés do concreto, ela constrói em adobe e tijolos modelados a partir da lama, e utiliza o pé-direito alto buscando aumentar a circulação de ar.

"Primeiramente, olho o que há disponível no local, em vez de já trazer materiais vindos de outros locais", diz a arquiteta que possui uma segunda graduação em antropologia e já restaurou inúmeras construções históricas.

A sua prioridade é apoiada em dois pilares: preservar as tradições locais e o meio ambiente.

Naji comenta ter se frustrado ao perceber que "em um determinado momento as pessoas pararam de construir com materiais locais" e "viraram suas costas a essas tradições".

- 'A paisagem está desmoronando' -

Adobe, pedras, calcário, troncos de madeira dos coqueiros -- são esses os elementos que ela se recusa a abandonar.

Naji, 47, filha de pai marroquino e mãe francesa, começou a sua carreira trabalhando com métodos tradicionais de construção e materiais para clientes privados.

Depois, ela percebeu que "é muito legal construir para os ricos, mas as áreas que compõem o restante da paisagem estão desmoronando", ela diz.

Ela começou, então, a restaurar velhos 'ksours', ou cidadelas protegidas por fortalezas, antigas mesquitas e armazéns comunitários, no oásis em Amtoudi.

Em Tiznit, uma cidade localizada 100 quilômetros ao sul de Agadir, onde vive em uma casa pequena e tradicional, ela se manteve leal às tradições ao projetar o novo centro de arquivos e salão comunitário.

Embora tenha aversão ao concreto, ela teve que usar um pouco do material para cumprir o plano diretor do Marrocos para prédios públicos.

"Não entendo porque damos tanto valor a esse material, nem historicamente, nem em termos de controle climático, nem esteticamente e que, além de tudo, é caro!", acrescentou.

"Esfria no inverno, esquenta no verão", diz ela sobre o material predominante na construção moderna.

- 'As tradições são mantidas vivas' -

O elemento considerado essencial para Naji é que "No Marrocos as tradições são mantidas vivas, em menor escala, claro, porém não inexistentes como em qualquer outro local".

Ela trabalhou nos armazéns em Amtoudi junto a artesãos locais, ainda que tenha sido um difícil processo tentar convencer os mais jovens a aprenderem os métodos mais antigos.

Além de ser arquiteta e antropóloga, ela também se considera uma ativista da defesa do uso de materiais locais e técnicas ancestrais em construções.

Ela foi avisada de que suas construções não resistiriam às chuvas.

Porém, ela insiste que esse modo de construir atrelado a uma boa manutenção do material tem uma capacidade de resistência superior a materiais normalmente usados, como o concreto, como provam as muralhas da capital marroquina de Rabat, onde a arquiteta nasceu.

Sua campanha tem como objetivo encontrar "alternativas a todas as formas de vida que utilizem o concreto", sobre a qual ela se mantém otimista.

"Nesse país, já percebi que existem pessoas que querem mudanças, que anseiam por algo belo, eficaz, algo que tenha como direção o futuro sem o esquecimento do passado", argumenta.

Neuer Inhalt

Horizontal Line


subscription form

formulário para solicitar a newsletter

Assine a newsletter da swissinfo.ch e receba diretamente os nossos melhores artigos.

swissinfo.ch

Banner da página Facebook da swissinfo.ch em português

AFP