AFP

(E-D) Os atores Raffey Cassidy, Sunny Suljic, Nicole Kidman, Barry Keoghan e o diretor Yorgos Lanthimos posam durante sessão de fotos do filme "The killing of a sacred deer", em Cannes, em 22 de maio de 2017

(afp_tickers)

As crianças estão marcando presença no Festival de Cannes, mas se até agora os filmes exibidos exaltavam seu espírito combativo ou sua vulnerabilidade, nesta segunda-feira "The killing of a sacred deer" e "Happy end" mostraram um lado diabólico.

Com o casal cinematográfico da mostra, Nicole Kidman e Colin Farrell, a cruel trama de terror de "The killing of a sacred deer", do grego Yorgos Lanthimos ("O Lagosta"), prendeu a atenção do público da Croisette, que segurou a respiração do início ao fim. A tensão psicológica, reforçada por uma trilha sonora digna de uma produção de Hitchcok, fez com que alguns espectadores deixassem a sala.

Kidman e Farrell, também protagonistas de um segundo filme na disputa, "O Estranho que Nós Amamos"" (Sofia Coppola), encarnam um rico casal de médicos que junto com seus dois filhos formam uma família feliz. Mas sua vida se transforma em um pesadelo depois que o filho de um paciente que Farrell não conseguiu salvar durante uma cirurgia começa a buscar vingança.

O adolescente - interpretado pelo ator irlandês Barry Keoghan - frio, impiedoso e diabólico incomoda o espectador apenas com sua presença.

"Meus filhos não vão ver esse filme", diz, rindo, Nicole Kidman, após a exibição.

- Impulsos assassinos -

Outro cineasta europeu, o austríaco Michael Haneke, converte a pequena Eve, Fantine Harduin, em uma autêntica diabinha de 13 anos em "Happy end", um drama que gira em torno de uma família burguesa que mora no norte da França e que se vê confrontada com a morte.

Traumatizada pela separação de seus pais, Eve começa a demonstrar tendências suicidas e assassinas, uma personagem que sem dúvida lembra as crianças de "A Fita Branca", com a qual Haneke venceu a primeira de suas duas Palmas de Ouro.

As primeiras reações da crítica colocaram o filme de Lanthimos entre os favoritos para o maior prêmio do festival e elogiaram o trabalho de Kidman como "um de seus melhores em anos", segundo a revista especializada Screen. "Happy end" dividiu mais o público, entre os que tacharam a produção como "a melhor de Haneke" e um "trabalho menor".

Por enquanto, o filme favorito da crítica, que muitas vezes não antecipa o veredicto do júri, é "Loveless", do russo Andrei Zvyaguintsev ("Leviatã"), que aborda a insuportável vida de um menino de 12 anos, Aliocha (Matvey Novikov), cujos pais não se amam e que também não gostam dele.

AFP

 AFP