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Quatro mulheres, duas vencedoras e duas perdedoras, foram as protagonistas das eleições legislativas de 8 de junho no Reino Unido

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Quatro mulheres, duas vencedoras e duas perdedoras, foram as protagonistas das eleições legislativas de 8 de junho no Reino Unido:

As perdedoras:

- Theresa May, primeira-ministra britânica

Seria a nova "Dama de Ferro" depois de Margaret Thatcher, que governou entre 1979 e 1990, mas apareceu muito mais vulnerável e seu posto está em perigo após as eleições antecipadas nas quais o partido conservador perdeu a maioria absoluta.

May, partidária do chamado Brexit "duro", que implica em sair do mercado único e reduzir a imigração procedente da União Europeia, baseou a sua campanha em sua personalidade "estável e sólida", porém mostrou uma imagem fria e de rigidez.

Theresa May, de 60 anos, filha de um reverendo, criou uma associação para promover as mulheres na política e presume ter inspirado vocações, embora seja muito discreta sobre a própria experiência como uma das políticas mais poderosas do mundo.

- Nicola Sturgeon, primeira-ministra escocesa

Foi a primeira líder dos independentistas escoceses e do governo regional. Mas a sua derrota nas legislativas, nas quais o Partido Nacional Escocês (SNP) perdeu 20 deputados, complicam o seu objetivo de convocar um segundo referendo de independência.

Sturgeon, de 46 anos, com formação jurídica e procedente de uma família de operários, se opõe ao Brexit, como 62% dos escoceses. Sua campanha apostou nesta rejeição para estimular um segundo referendo depois do "não" de 2014 na primeira consulta, logo que chegou ao poder.

Denuncia frequentemente o sexismo na política e lamenta que seu aspecto sempre suscite comentários.

"Cada vez que uma política se coloca diante de uma câmera, tem que pensar em mil coisas, de maneira consciente ou inconsciente, que um homem não tem que pensar", disse em uma entrevista a The Gentlewoman.

Também lamentou que em sua primeira reunião com Theresa May muitos jornalistas "só se interessaram por nossos sapatos".

As vencedoras:

- Ruth Davidson, líder dos conservadores na Escócia

Com seus 12 deputados salvou Theresa May para frear os projetos de independência de Nicola Sturgeon.

Sua personalidade jovial e carismática, seu humor e homossexualidade assumida lhe deram novos ares e seduziram os escoceses, pouco favoráveis a outro referendo.

Esta ex-jornalista de 38 anos, praticante de kick-boxing, está prestes a se casar com a irlandesa Jen Wilson.

Ruth Davidson é uma unionista confessa e favorável a um Brexit "aberto" diante do Brexit "duro" de Theresa May.

"Quando era pequena, as duas pessoas mais importantes do país eram a rainha e Margaret Thatcher. Cresci com a ideia de que para uma mulher tudo é possível", disse à AFP.

- Arlene Foster, primeira-ministra da Irlanda do Norte

Em janeiro de 2016, foi a primeira mulher eleita chefe de Governo da Irlanda do Norte. Agora tem muito poder em suas mãos graças aos 10 deputados que apoiam os conservadores e permitem a May ter maioria absoluta em Westminster.

Foster está de acordo com a maioria das posições dos conservadores e é favorável ao Brexit, embora peça uma fronteira "suave" entre as duas Irlandas.

Aos 16 anos, durante os confrontos entre partidários e adversários de uma união com o Reino Unido, seu pai sofreu uma tentativa de assassinato e o ônibus de sua escola explodiu por um atentado dos nacionalistas do IRA.

"Ser uma mulher não é necessariamente mais difícil para exercer [a função] de primeira-ministra da Irlanda do Norte, mas temos que confiar que podemos fazer, é a diferença", disse à AFP.

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