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Assembleias populares na Bolívia exigem novas eleições

Manifestantes em La Paz afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 01. novembro 2019 - 04:04
(AFP)

Assembleias populares nas cidades bolivianas de La Paz e Santa Cruz rejeitaram nesta quinta-feira a auditoria das eleições presidenciais, iniciada pela OEA, e exigiram uma nova votação após a polêmica reeleição do presidente Evo Morales.

Estas assembleias, com a participação de milhares de pessoas, também decidiram manter os protestos nas ruas, greves e bloqueios de estradas, até que haja novas eleições.

O comitê de Santa Cruz também pediu a renúncia imediata de Morales e do vice-presidente, Álvaro García.

As assembleias defenderam "outras eleições sem Evo Morales", rejeitando um segundo turno e a auditoria da OEA, iniciada nesta quinta-feira, por considerá-las "uma manobra diversionista para manter Morales no poder".

A assembleia popular de La Paz declarou ainda sua "independência" política da candidatura de Carlos Mesa, adversário de Morales, que também rejeita a auditoria da OEA

A revisão do resultado, por uma equipe de 30 técnicos, foi acordada entre o governo e o secretário-geral da OEA, Luis Almagro.

A auditoria começou em meio a protestos e confrontos nas ruas entre simpatizantes do governo e opositores, que começaram no dia seguinte à realização do pleito e deixaram dois mortos a tiros e cerca de 140 feridos.

O trabalho de recontagem dos votos realizado pelo Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) está no centro da polêmica, depois de ter usado dois sistemas tecnológicos que apresentaram - segundo afirmam os críticos e opositores - contradições.

O primeiro é o chamado TREP, de contagem rápida, que apontou um segundo turno entre Morales e Mesa, e o segundo, do cômputo geral oficial definitivo, que deu Morales como vencedor no primeiro turno com 47,08 dos votos, contra Mesa com 36,51%.

De acordo com a lei, a diferença de 10 pontos permite que Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, continue governando até 2025.

- "Fracassou um golpe" -

A Igreja Católica expressou nesta quinta a esperança de que a auditoria leve a um acordo entre o governo e a oposição que permita restaurar a paz.

"Consideramos que uma auditoria, realizada sob condições apropriadas, ou seja, uma auditoria integral do processo eleitoral, acordada e vinculativa, poderia estabelecer as bases para um acordo e contribuir para a pacificação do país", afirmou a Conferência Episcopal Boliviana.

Morales, no poder desde 2006 voltou a dizer nesta quinta que a oposição colocou em marcha um "golpe de Estado" contra seu governo, que "fracassou" por conta do apoio que recebeu de parte dos mineradores, camponeses e outros trabalhadores.

"Aos movimentos sociais, meu pedido: suspender o bloqueio. E aos irmãos que estão em greve nas cidades: que acabem com a greve para pacificar o país e aguardar os resultados da auditoria" dos especialistas da OEA, disse.

Mesa declarou que "esta mobilização deve continuar" até dobrar Morales, mas pediu a seus correligionários que tomem cuidado após as mortes, na noite de quarta, de dois manifestantes opositores que bloqueavam uma rua no povoado Montero, perto da cidade de Santa Cruz, reduto da oposição.

Ex-presidente da Bolívia (2003-2005), Mesa exigiu que Morales peça a seus partidários que retirem os bloqueios das estradas, que impedem a chegada de alimentos às cidades.

O opositor também pediu ao governante que "ordene aos militantes do MAS (Movimento ao Socialismo) que participam dessas ações de violência o fim desses atos".

Segundo o ministro do Governo (Interior), Carlos Romero, os dois mortos em Montero foram atingidos a tiros quando estavam bloqueando uma rua em protesto ao resultado da eleição.

Os resultados das eleições desencadearam mais de uma semana de violentos confrontos e distúrbios na Bolívia, que deixaram 139 feridos, segundo a defensora pública Nadia Cruz.

Além de Santa Cruz e Cochabamba, os protestos acontecem em La Paz, Sucre (sudeste) e Potosí (sudoeste).

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