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A astrônoma Lena Okajima, que desenvolve estrelas cadentes artificiais, em Tóquio, no dia 5 de junho de 2015

(afp_tickers)

Estrelas cadentes como se chovesse: uma start-up japonesa espera apresentar um novo fogo de artifício espacial que tem por objetivo não só agradar os olhos mas também desvendar o mistério da atmosfera da Terra.

A astrônoma Lena Okajima e a empresa ALE prometem fazer, a qualquer hora, uma chuva de meteoros que pode ser vista por milhões de pessoas.

"Estou buscando fazer fluxos de meteoros, que são um fenômeno raro na natureza", explicou Okajima à AFP. "Embora seja artificial, quero criar algo bonito que vai impressionar o público".

Em colaboração com universidades japonesas, a equipe da ALE desenvolve atualmente um micro-satélite que, uma vez colocado em órbita a 400-500 quilômetros em torno da Terra, será capaz de ejetar pequenas bolas cuja composição é mantida em segredo.

Essas pelotas se desintegrarão ao entrar na camada atmosférica na velocidade de 7 a 8 quilômetros por segundo, emitindo uma luz muito brilhante em contato com as moléculas de ar.

A cor destes meteoros artificiais varia de acordo com os ingredientes químicos usados ​​para criar um verdadeiro fogo de artifício a uma altitude jamais alcançada.

Essas falsas estrelas devem brilhar por alguns segundos e desaparecer completamente antes de cair de volta à Terra, eliminando assim qualquer perigo.

"Fazer do céu uma tela é a maior atração do projeto, o lado do entretenimento. Este é um show no espaço", disse a diretora da ALE.

Os testes realizados com o professor de engenharia aeroespacial Shinsuke Abe, da universidade Nihon, mostram que o brilho desses objetos celestes artificiais seria poderoso o suficiente para enfrentar a poluição luminosa da megalópole de Tóquio. Mas ainda é necessário escolher uma noite sem nuvens.

De acordo com Okajima, é possível desprogramar um disparo até 100 minutos antes da hora prevista para evitar o mau tempo.

- Caro mas gratificante -

Com o alto custo do entretenimento (1 milhão de ienes ou 7.500 euros cada meteoro), é verdade que é melhor não falhar.

A empresa estima em pelo menos 1,1 bilhão de ienes (80 milhões de euros) o custo do desenvolvimento e da colocação em órbita do satélite, um cubo de 50 centímetros cuja validade não passa de alguns meses, segundo Takeo Watanabe, da universidade Teikyo.

Para Hironori Sahara, professor da universidade metropolitana de Tóquio, o projeto oferece uma oportunidade única de observar uma região pouco conhecida da atmosfera.

A altitude em que as estrelas artificiais vão brilhar - cerca de 60 quilômetros da superfície terrestre - é muito alta para os balões atmosféricos e muito baixa para os satélites de observação, de modo que esta zona intermediária é difícil de estudar.

Conhecendo a data com antecedência e a hora da colocação destes meteoros artificiais, os cientistas poderão efetuar medidas precisas.

A análise da luz e da trajetória dos projéteis dará informações sobre as temperaturas e a densidade das camadas da atmosfera atravessadas, explica Sahara.

Os dados recolhidos poderiam assim fornecer elementos de comparação para deduzir a composição de estrelas cadentes naturais.

Lena Okajima tem o intuito de financiar seu orçamento pela internet. Ela se diz convencida de que os entusiastas da astronomia estejam dispostos a colaborar financeiramente para apoiar esta "invenção inédita" que, argumenta, seria não apenas uma diversão planetária única, mas também uma verdadeira ferramenta científica.

AFP