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O padre José Funes, diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, em Albano Laziale, no dia 30 de julho de 2015

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O diretor do Observatório Astronômico do Vaticano, padre José Funes, considera pouco provável que o homem encontre vida extraterrestre - apesar das recente descoberta do planeta mais parecido com a Terra já encontrado.

"Foi uma ótima notícia", comentou o padre Funes, jesuíta argentino como o papa Francisco, em conversa com a AFP.

Perguntado sobre a descoberta do Kepler 452b, o planeta que gira em torno de uma estrela cujas características são muito parecidas com as do Sol, o religioso não parece ter dúvidas.

"Até agora não há provas de vida e menos ainda de vida inteligente", no Kepler 452b, garantiu.

"É provável que tenha havido uma vida e talvez de maneira inteligente, mas não saberemos nunca", argumentou o astrônomo, especializado em galáxias.

Para ele, o fato de estar situado a 1.400 anos luz da Terra é determinante.

Com a tecnologia atual, seriam necessários 11 milhões de anos para chegar à "segunda Terra".

Mas, se existisse vida neste planeta gêmeo, haveria também Deus e seu filho, como afirma a religião católica?

"A descoberta de uma vida inteligente (fora da Terra) não significa que exista outro Jesus", sustentou o padre Funes.

"A encarnação do filho de Deus é um fato único na história da humanidade e do universo", explicou Funes, também teólogo.

"Deus se fez homem em Jesus em nossa Terra, na Palestina, há 2.000 anos. Não escolheu um francês, um italiano ou um argentino, escolheu um judeu", comentou em tom simpático.

Embora tenha esclarecido que fala a título pessoal e não em nome do Vaticano, o jesuíta-astrônomo considera que é preciso evitar comentários até que resultados concretos sejam conhecidos e aceitos pela comunidade científica.

- 'Não vejo contradição com a fé' -

A possibilidade de encontrar vida inteligente em outro planeta pode gerar novos debates entre os católicos, tal como ocorreu há cinco séculos com a descoberta da América e a existência ou não de alma nos índios.

"Não vejo contradição alguma com a fé católica", afirmou Funes, que reiterou seu "forte ceticismo" sobre a possibilidade de que seja um planeta habitado.

"Não acredito...no máximo amanhã vão me dizer o contrario, mas não acredito que nos reuniremos algum dia com o Senhor Spock", disse, em referência ao lendário personagem do seriado "Star Trek".

"O que aprendi de tudo isso é que a busca de outra vida no universo ajuda a entendermos melhor, a conhecer nosso papel no universo, entender o que a vida quer dizer, a inteligência, a civilização", concluiu.

O Observatório, que foi fundado há 80 anos, se encontra em Castel Gandolfo, sobre um lago, não muito longe de Roma.

Todos seus pesquisadores são jesuítas que também são formados, a maioria em astronomia.

A relação entre ciência e religião foi muito complexa ao longo dos séculos e por isso Funes é muito claro em lembrar que a Bíblia, o livro sagrado dos cristãos, "não é um texto científico" e menos ainda sua explicação sobre a criação do universo em seis dias.

A Bíblia "responde ainda aos grandes mistérios apresentados ao homem e à mulher. De onde viemos, qual é nosso papel no universo e na Terra", mas não do ponto de vista da ciência, explicou.

AFP