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Membros das Forças Democráticas Sírias (FDS), em Tabqa, em 12 de maio de 2017

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A aliança de combatentes curdos e árabes, apoiada por Washington, iniciará o ataque final contra Raqa, principal reduto do grupo Estado Islâmico (EI) na Síria, no "princípio do verão" (hemisfério norte, inverno no Brasil), anunciou à AFP uma comandante da coalizão.

"Depois da libertação de Tabqa, estamos na quarta fase (da batalha) (...) O ataque contra Raqa começará no início do verão", informou Rojda Felat, uma comandante das Forças Democráticas Sírias, entrevistada pela AFP na cidade de Tabqa, de onde os jihadistas foram expulsos na quarta-feira.

A conquista de Taqba (norte) na quarta-feira, depois de semanas de combates, é uma das vitórias mais importantes das FDS, a aliança de milícias curdas e árabes apoiada pelos Estados Unidos que luta contra os extremistas do EI desde 2015.

"Comemoramos a tomada de Tabqa e vamos concentrar as tropas" para o ataque final, que deve acontecer muito provavelmente em "junho", disse. Dependerá "das circunstâncias e das táticas militares", acrescentou.

"As campanhas militares (contra o EI) continuarão", afirmou Kahraman Hasan, comandante adjunto das FDS, em uma entrevista em Taqba.

Armas americanas

A conquista desta cidade chave no caminho até Raqa aconteceu um dia depois do anúncio público do governo dos Estados Unidos de sua intenção de fornecer diretamente e pela primeira vez armas para a milícia curda das FDS, as Unidades de Proteção Popular (YPG).

"Com o início do ataque contra Raqa [...] vamos receber, como eles (os americanos) nos prometeram, as armas e os veículos blindados", disse o comandante Hasan.

"Até agora estas armas não chegaram. Pensamos que vamos recebê-las em breve", completou.

Em Tabqa, uma equipe da AFP conseguiu entrar nesta sexta-feira na barragem de mesmo nome, conquistada ao mesmo tempo que a cidade.

O jornalista da AFP viu sacos de areia utilizadas pelos extremistas durante os combates na represa, a maior da Síria.

Em todas as partes há veículos destruídos e grandes buracos provocados, provavelmente, pelos ataques aéreos da coalizão liderada pelos Estados Unidos.

O cadáver de um extremista também foi visto flutuando na água lo lago Assad - grande reservatório artificial sobre o Eufrates, criado pela barragem de Tabqa.

'Preparem-se'

No centro de Tabqa, muitos sacos de areia foram colocados em frente às lojas, enquanto várias foram destruídas. Na rua, veículos tombados testemunham a violência da batalha.

O jornalista também observou inscrições deixadas pelos extremistas: "Saibam que o paraíso é alcançado através da luta", "Preparem-se para lutar com toda sua força".

Desde o início em novembro da grande ofensiva para recuperar Raqa, as FDS conseguiram, com o apoio das forças americanas, assumir o controle de amplas zonas da província de mesmo nome. Também conseguiram cortar os principais eixos viários ao redor da cidade.

As FDS estão agora a 8 km da cidade de Raqa, nas mãos do EI desde 2014.

A aliança curdo-árabe também se beneficia da ajuda de assessores americanos e de armas dos marines.

Mas o anúncio americano revoltou a Turquia, aliada dos Estados Unidos, porque Ancara considera as YPG um "grupo terrorista".

As FDS estão dominadas pelas YPG, principal aliado dos americanos na luta contra o EI na Síria.

A guerra na Síria, iniciada em 2011, já fez 320.000 mortos e milhões de deslocados.

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