Ao menos 27 membros do corpo militar iraniano de elite, a Guarda Revolucionária, morreram nesta quarta-feira (13) em um atentado suicida contra o ônibus que os levava da fronteira com o Paquistão, no sudeste deste país, indicou um comunicado oficial.

O ônibus transportava os militares entre as localidades de Khash e Zahedan, na província de Sistão-Baluchistão, segundo a agência de notícias oficial, IRNA.

Uma foto divulgada pela agência Fars mostrava os restos retorcidos de um ônibus em uma estrada à noite.

"Um carro carregado de explosivos foi detonado ao lado de um ônibus que transportava uma unidade da Guarda, o que causou o martírio e ferimentos aos protetores da fronteira de nossa pátria islâmica", explica o texto da Guarda.

Pouco mais tarde, o grupo extremista Jaish al-Adl ("Exército da Justiça") reivindicou o atentado mediante um comunicado, informou a Fars.

Este ataque coincidiu com o início de uma conferência multinacional em Varsóvia sobre a situação no Oriente Médio, uma reunião evocada pelos Estados Unidos com o objetivo declarado de aumentar a pressão sobre o Irã.

Na primeira reação pública iraniana sobre o ataque, o ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, afirmou no Twitter que "não é uma coincidência que o Irã seja atingido pelo terror no mesmo dia" do início dessa conferência, que classificou como um "circo".

"Os Estados Unidos parecem adotar sempre as mesmas decisões equivocadas, mas esperam resultados diferentes", apontou.

O grupo Exército da Justiça é considerado "terrorista" pelo Irã e é formado por ex-membros de uma organização sunita extremista que conduziu uma rebelião violenta na província de Sistão-Baluchistão (sudeste do Irã) até 2010.

Na província do Sistão-Baluchistão vive uma importante comunidade sunita com laços no vizinho Paquistão.

Nos últimos meses, as forças iranianas de segurança e a Guarda Revolucionária foram alvo de vários ataques no Sistão-Baluchistão.

No início de dezembro, duas pessoas morreram e outras 40 ficaram feridas na cidade portuária de Chabahar. O ataque foi obra de "terroristas com apoio externo", denunciou o chanceler iraniano, Mohammad Javad Zarif.

Em 29 de janeiro, três membros de uma equipe de desativação de explosivos ficaram feridos quando tentavam desarmar um artefato na cidade de Zahedan. Um segundo explosivo foi detonado ao lado do local onde eles trabalhavam, explicou a polícia.

Em 2 de fevereiro, um integrante da Guarda Revolucionária morreu e outros cinco foram feridos em um atque na localidade de Nikshar, em um atentado também reivindicado pelo Jaish al-Adl.

O ataque mais violento que o Irã sofreu nos últimos tempos foi em setembro, quando um grupo matou 24 pessoas durante uma parada militar na cidade de Ahvaz (sudoeste).

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