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(1 ago) Policiais em Jerusalém

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A Faixa de Gaza vivia seu 28º dia de um sangrento conflito, marcado pela quebra de uma trégua unilateral declarada pelo Exército israelense, enquanto a violência tem provocado uma condenação internacional cada vez mais firme.

Em um clima de tensões elevadas, Jerusalém foi palco, segundo a polícia, de um ataque "terrorista", no qual um israelense foi morto e cinco ficaram feridos. O autor deste ataque com uma escavadeira contra um ônibus em Jerusalém Oriental foi abatido.

Mas a própria Faixa de Gaza permanece relativamente calma e os aviões israelenses desapareceram do céu por várias horas, informaram os correspondentes da AFP no local.

Vinte palestinos foram mortos nesta segunda-feira, segundo os serviços de emergência. Deste total, 17 morreram antes da entrada em vigor do cessar-fogo, enquanto que os combates têm matado dezenas de palestinos todos os dias desde o início da ofensiva israelense em 8 de julho.

Janela humanitária

Prova da fragilidade desta "janela humanitária", três pessoas, incluindo uma menina palestina de oito anos, morreram nesta segunda-feira em um ataque ao oeste da cidade de Gaza, pouco depois da entrada em vigor da trégua humanitária declarada unilateralmente por Israel por sete horas e que entrou em vigor às 10h00 locais (4H00 de Brasília).

O ataque atingiu uma casa do campo de refugiados de Chati, segundo o porta-voz dos serviços de emergência, Ashraf al-Qudra.

Testemunhas afirmaram que a ação foi um bombardeio israelense, mas o exército de Israel não comentou a informação e anunciou que analisa o ocorrido.

"Não há trégua. Como poderia haver uma trégua? Eles são mentirosos, eles não respeitam seus compromissos", reagiu Ayman Mahmoud, um vizinho, no amontoado de concreto deixado pela explosão.

A trégua também foi rejeitada pelo Hamas. Trata-se do oitavo cessar-fogo de Israel, segundo o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu.

Todas as tréguas anteriores fracassaram, a última, na sexta-feira, única aceita por Israel e o Hamas palestino, durou duas horas antes de um novo banho de sangue.

Mais de 1.850 palestinos mortos

A trégua desta segunda ocorre num momento em que Israel enfrenta novas críticas internacionais ante o sofrimento na Faixa de Gaza, onde mais de 1.850 palestinos morreram.

A comoção internacional cresceu depois de um ataque em Raffah a uma escola gerenciada pela Agência da ONU de Assistência aos Refugiados Palestinos (UNRWA), transformada em centro de refugiados.

Esta foi a terceira vez em 10 dias que uma escola da ONU foi atingida. As duas últimas em Beit Hanoun e Jabaliya (norte) fizeram trinta mortos.

"Isso é um escândalo do ponto de vista moral e um ato criminoso", declarou a este respeito o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon. Por sua vez, os Estados Unidos, principais aliados de Israel, expressaram "consternação" por um "bombardeio vergonhoso".

Sem acusar expressamente Israel, Ban e Washington ressaltaram que o Exército estava muito bem informado sobre a localização dos abrigos da ONU.

Israelenses acusam o Hamas de usar civis como escudos humanos e hospitais e escolas para disparar foguetes contra Israel.

Paz imposta

Mas, mesmo isso, "não justifica os ataques que colocam em perigo muitas vidas de civis inocentes", considerou o Departamento de Estado americano, enquanto as chamadas por um cessar-fogo urgente, dada a magnitude da tragédia humana em um território onde 1,8 milhões de pessoas são prisioneiros de guerra, foram inúteis.

O direito de Israel de se defender "não justifica matar crianças e civis", ecoou o chanceler francês Laurent Fabius.

Caracterizando a situação como um massacre, Fabius chegou a exigir o estabelecimento de um cessar-fogo proposto pelo Egito, e defendeu que a comunidade internacional "imponha" uma solução política para dois Estados, israelense e palestino, vivendo lado a lado.

A trégua ocorre no momento em que as forças israelenses começaram uma retirada antecipada de suas tropas terrestres, sem que isso indique uma retirada total de um território que permanece dentro do alcance de aeronaves e tanques.

O primeiro-ministro israelense reafirmou no sábado sua determinação de continuar a operação lançada para tentar impedir o lançamento de foguetes e destruir túneis que permitem o Hamas agir em solo israelense.

Mas a ofensiva israelense parece estar entrando em uma nova fase, com Israel garantindo estar próximo de seus objetivos.

AFP