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Ativa cidade fronteiriça dos EUA preocupada com impacto da cerca de Trump

Pete Saenz, prefeito de Laredo, cidade fronteiriça com o México, está preocupado com o impacto econômico da cerca que os militares instalaram na fronteira afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. novembro 2018 - 18:15
(AFP)

Pete Saenz, prefeito da cidade texana de Laredo, observa incomodado a cerca de arame farpado instalada pelos militares americanos que agora margeia a sua ativa e agitada cidade, na fronteira com o México.

"É uma surpresa para alguns de nós, um choque sinceramente. Não estamos acostumados à cerca de arame farpado", disse o prefeito à AFP.

Laredo, com uma população de 260 mil habitantes, dos quais 96% são de origem latina, é uma das áreas que foi "reforçada" pelo Exército por ordem do presidente Donald Trump.

Como parte do reforço, mediante o envio de 5.900 militares à fronteira, o Exército também instalou uma brilhante cerca de arame com farpas ao longo das verdes margens de Laredo.

E a população local está começando a se preocupar pelas consequências que isto pode trazer para uma cidade que depende fortemente da troca fronteiriça.

Em uma entrevista no seu gabinete esta semana, onde a bandeira se encontra do lado de lá do Texas, Saenz diz que entende o desejo do governo federal de proteger a fronteira.

Mas está preocupado de que a presença militar possa causar uma queda na entrada legal de pessoas entre Laredo e sua cidade vizinha de Nuevo Laredo, do outro lado do Río Grande, no México.

"Esteticamente não fica bom. Se pudéssemos nos manifestar como cidade acho que ficaríamos conta a cerca de arame", diz Saenz, destacando que a cidade teve algumas discussões iniciais sobre a possibilidade de enfrentar a cerca instalada pelas autoridades federais.

Clientes mexicanos representam entre 40% e 50% dos compradores varejistas em Laredo, em particular em um grande "outlet" que oferece melhores preços e produtos do que qualquer lugar em Nuevo Laredo.

Os habitantes mexicanos de Nuevo Laredo podem ir a Laredo para comprar e trabalhar, com permissões especiais, e cerca de 17 mil pessoas cruzam diariamente de um lado a outro da ponte.

- 'Presos pelo quadril' -

Inclusive uma pequena queda na passagem de pedestres poderia ter um grande impacto na economia local, uma preocupação que se estende por outras áreas fronteiriças.

Em Nogales, Arizona, por exemplo, o tráfego de pessoas do México se reduziu dramaticamente e os vendedores estão sentindo o impacto.

"Não vejo como algo positivo o fato de (Trump) estar colocando as cercas. As pessoas do México vão e compram, deixam seu dinheiro lá", diz Sandra Chavez, uma cidadã americana em Nuevo Laredo.

"Não estão fazendo nada ruim", assegura.

As preocupações crescem nesta época do ano, quando começa a frenética temporada de compras de Natal.

Saenz diz que é cedo para saber se a passagem legal de pessoas está caindo, mas alguns moradores afirmam que observam mudanças.

Comparado com dois anos atrás, "parece que muitas lojas fecharam, e parece mais uma cidade fantasma", diz no pitoresco centro da localidade Laura Pole, uma turista britânica que visitou Laredo três vezes nos últimos anos.

Mas longe do centro, ladeado por uma catedral e construções em estilo de fazenda, funcionários de grandes lojas dizem que, por enquanto, não notaram mudanças importantes.

Laredo está indubitavelmente ligada ao México e o espanhol é de longe a língua dominante. A cidade mudou de mãos várias vezes no século XIX e já foi parte do México.

"Costumo dizer que estamos presos pelo quadril", diz Saenz.

O tráfego de pedestres é em ambos os sentidos, já que cidadãos americanos costumam ir ao México em busca de remédios e imóveis mais baratos.

Algumas famílias moram nos dois lados da fronteira.

"O Exército ser enviado para cá é ridículo", afirma Angela Torres, uma americana cujo marido foi deportado e agora mora em Nuevo Laredo, enquanto ela mantém sua casa do lado americano e cruza todos os dias.

- Enorme porto terrestre -

Os críticos qualificaram a ordem de Trump de custosa com intenção eleitoral, pois foi tomada pouco antes das eleições de meio de mandato, em 6 de novembro.

Mas um agente da patrulha fronteiriça, não autorizado a dar seu nome, saudou o reforço militar porque todos os dias centenas de imigrantes tentam atravessar os 50 km de demarcação que eles vigiam.

A operação de fronteira custará cerca de 72 milhões de dólares, segundo o Pentágono. A missão está prevista até 15 de dezembro.

Além das vendas no varejo, Saenz diz que Laredo é o principal porto terrestre para mercadorias que chegam aos Estados Unidos.

Cerca de 214 bilhões de dólares em mercadorias passam por Laredo anualmente, de acordo com Saenz, enquanto caminhões de carga transitam perto do centro da cidade até a ponte fronteiriça.

"É isso que move nossa cidade, a troca, a logística, os depósitos, a distribuição, e por isso a nossa relação com o México é tão sensível", assinala Saenz.

"É fácil governar de Washington ou Austin (capital do estado) algumas vezes sem saber o impacto na própria fronteira", diz. "Nós vivemos isso, sentimos, assumimos e economicamente dependemos disso", acrescenta.

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