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Kevin Spacey revela sua homossexualidade e pede desculpas após acusações de assédio nos anos 1980

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O ator americano Kevin Spacey revelou sua homossexualidade, pedindo desculpas ao ator Anthony Rapp, que o acusou de tê-lo assediado sexualmente em uma festa em 1986, quando este último tinha 14 anos.

Spacey fez o anúncio na madrugada desta segunda-feira (30) em sua conta no Twitter, depois das acusações feitas por Rapp ao Buzzfeed News. O ator é conhecido, principalmente, por seu papel na versão original da comédia musical da Broadway "Rent".

Kevin Spacey, de 58 anos, duas vezes ganhador de um Oscar e estrela da série da plataforma de streaming Netflix "House of Cards", respondeu horas depois, dizendo que estava "mais do que horrorizado" com o relato de Rapp e que não se lembrava dos fatos.

Mas, "se me comportei como (Anthony Rapp) descreve, eu lhe devo minhas mais sinceras desculpas pelo que teria sido uma atitude em estado de embriaguez das mais inapropriadas".

As acusações de Anthony Rapp "me encorajaram a abordar outras questões sobre a minha vida", afirmou o ator, acrescentando: "eu sei que há histórias por aí sobre mim".

"Como todos os que me são mais próximos sabem, eu tive, na minha vida, relações com homens e mulheres. Eu gostei e tive encontros sentimentais com homens ao longo de toda minha vida e decidi hoje viver como gay", acrescentou Kevin Spacey.

"Quero lidar com isso honesta e abertamente, e isso começa pela análise do meu próprio comportamento", completou.

Anthony Rapp, hoje com 46, contou ao Buzzfeed News que, em 1986, Kevin Spacey o convidou para uma festa em seu apartamento em Nova York. Na época, os dois atuavam em peças na Broadway.

Segundo Rapp, ele estava no quarto de Kevin Spacey, então com 26 anos, vendo televisão, quando o ator apareceu na porta, no fim da noite, "como que cambaleando" e aparentemente bêbado.

Kevin Spacey então o empurrou para sua cama e se esticou em cima do adolescente, ainda segundo o relato de Anthony Rapp.

"Ele estava tentando me seduzir", disse Rapp ao Buzzfeed.

"Não sei se eu teria usado essa linguagem, mas eu estava consciente de que ele queria ir para o lado sexual", completou.

Anthony Rapp acrescenta que fugiu rapidamente e se escondeu no banheiro. Logo depois, deixou o apartamento e foi para casa.

- Silêncio -

Na sequência das revelações de Rapp, a Netflix informou que não renovará "House of Cards" após a sexta temporada, que está sendo gravada e deve ir ao ar em 2018.

No entanto, uma fonte familiarizada com o assunto disse à AFP que a decisão de cancelar a série não está relacionada com as acusações, tendo sido feita antes destas serem divulgadas.

As acusações de Rapp foram reveladas em meio ao grande escândalo que envolve Harvey Weinstein, um dos grandes produtores de Hollywood, acusado por mais de 50 mulheres de diversas agressões, ou de assédio, assim como por casos de estupro.

Weinstein, de 65 anos, foi demitido de sua própria produtora e está sendo investigado nos Estados Unidos e no Reino Unido. Ele nega qualquer relação sexual não consensual.

Rapp afirmou que decidiu revelar o caso para "tentar mudar décadas de comportamento permissivo, porque muitas pessoas, inclusive eu, permaneceram em silêncio".

"Sou muito consciente do momento que vivemos e espero que isto (as revelações) possa fazer a diferença", completou.

De acordo com Rapp, que morava com a mãe na época dos supostos acontecimentos, ninguém questionava a presença de um adolescente em uma festa organizada por um ator "porque eram outros tempos".

- "Tchau tchau, Spacey" -

As declarações de Spacey provocaram muitas reações entre celebridades e membros da comunidade LGBT, ao mesmo tempo em que foram feitas sugestões de que o ator ainda pode enfrentar outros acusadores.

"Tchau tchau, Spacey, adeus, agora é sua vez de chorar, é por isso que devemos dizer adeus", tuitou Rose McGowan, uma das primeiras atrizes a acusar Weinstein de estupro.

Sarah Kate Ellis, presidente do GLAAD, grupo de advocacia pelos direitos LGBT, afirmou: "As histórias de saída do armário não devem ser usadas para desviar alegações de agressão sexual".

"Isso expõe a comunidade gay a um milhão de velhas e esgotadas críticas e conspirações", tuitou Richard Lawson, crítico de cinema da revista Vanity Fair.

"A distância que tivemos que caminhar para nos afastarmos da noção de que somos todos pedófilos é significativa".

A comediante Rosie O'Donnell comparou Spacey com Weinstein.

"Como Harvey, todos nós sabíamos sobre você. Espero que mais homens se apresentem", afirmou. "Eu ouvi dizer que ele era um esquisito nojento no armário", continuou.

Falando sobre a década de Spacey como diretor artístico do teatro Old Vic em Londres, Victoria Featherstone, diretora artística do Royal Court Theatre de Londres, disse à BBC que estava ciente de histórias sobre ele.

"Eu acho que muitas pessoas no teatro e nas indústrias criativas têm conhecimento de muitas histórias de muitas pessoas ao longo de muitos anos, e Kevin Spacey seria uma das pessoas sobre as quais as pessoas se preocupavam", disse à Rádio 4.

A ex-âncora de Boston Heather Unruh escreveu em 13 de outubro que era fã de Spacey "até que ele assediou uma pessoa querida", sem indicar o nome da suposta vítima.

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AFP