Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Flores e velas são dispostas em um memorial em homenagem a Robin Williams, em frente a um teatro de comédia, em Nova York.

(afp_tickers)

As autoridades americanas anunciaram nesta terça-feira que o ator Robin Williams, de 63 anos, foi encontrado morto em um quarto de sua residência na Califórnia, enforcado com um cinto, em circunstâncias que reforçam a tese de suicídio.

Seu corpo estava levemente suspenso e havia cortes em seu pulso esquerdo.

Ele foi encontrado "sentado, inerte, com um cinto em torno do pescoço e a extremidade presa à porta do quarto", disse à imprensa o tenente Keith Boyd, assistente do legista-chefe do condado de Marin, perto de São Francisco.

"A hipótese preliminar principal nesse momento é que este caso é um suicídio (...) A causa da morte é asfixia por enforcamento", completou o policial.

Boyd destacou que a investigação continua, e que a polícia ainda vai ouvir pessoas ligadas ao artista. O ator foi encontrado por seu assistente, pouco antes do meio-dia de segunda-feira (horário local), em um quarto de sua casa.

Robin Williams lutava contra a depressão e havia buscado ajuda para superá-la, nos últimos tempos. No passado, também enfrentou problemas com álcool e com drogas.

Sua atual mulher, Susan Schneider, com quem ele se casou em 2011, foi a última pessoa a vê-lo com vida, no domingo à noite, quando ele se despediu para ir dormir.

As autoridades esperam receber em no máximo seis semanas os resultados dos testes toxicológicos que os legistas estão fazendo no corpo do ator. O tenente Boyd não disse se havia drogas na casa.

- Obama: 'não houve outro como ele' -

Em nota, o presidente americano, Barack Obama, afirmou que Robin "foi um piloto, um gênio, um presidente, professor, um extraordinário Peter Pan e tudo o que se pode imaginar. Não houve outro como ele".

O secretário americano da Defesa, Chuck Hagel, também homenageou o ator que, desde 2002, entreteve 90 mil militares em 13 países - entre eles Afeganistão e Iraque.

"Ele divertiu milhares de homens e mulheres em serviço em zonas de guerra e ajudou, filantropicamente, veteranos que lidavam com feridas ocultas. Era um defensor leal e compassivo de todos os que serviam nossa nação", afirmou Hagel em um comunicado.

A filha Zelda Williams dedicou ao pai um trecho de "O pequeno príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, que se tornou viral: "Você - apenas você - terá as estrelas, de uma maneira que ninguém as tem. Em uma das estrelas eu estarei vivendo. Em uma delas eu estarei rindo. E assim será, como se todas as estrelas estivessem rindo quando você olha para o céu à noite. Você - apenas você - terá as estrelas que podem rir".

- Hollywood em luto -

O mundo do cinema ficou bastante abalado com a morte inesperada do ator.

Centenas de companheiros de profissão, como o diretor de cinema Steven Spielberg e os atores Billy Cristal, Goldie Hawn, Danny DeVito, Jon Cryer, Mia Farrow e Kevin Spacey manifestaram sua admiração por um homem que mostrou um dom especial para fazer o público rir.

O ator e diretor de Hollywood Ben Affleck declarou nesta terça que ele e o também ator Matt Damon devem seu sucesso à Robin Williams, coestrela do filme "Gênio indomável", pelo qual a dupla levou o Oscar de melhor roteiro em 1998. Com esse filme, Robin conquistou o Oscar de melhor ator coajduvante, sua única estatueta.

Ele também conquistou quatro Globos de Ouro e dois Emmy em seus quase 40 anos de carreira.

"Com o coração partido. Obrigado, chefe. Por sua amizade e pelo que você deu ao mundo", disse Ben Affleck em suas contas no Facebook e no Twitter.

"Robin tinha uma tonelada de amor dentro dele. Pessoalmente, fez muito por muita gente. Transformou os meus sonhos e os dos de Matt em realidade", acrescentou, referindo-se a Matt Damon, que atuou no filme e foi coautor do roteiro.

"O que você deve a um homem que faz isso? Tudo. Que você descanse em paz, meu amigo", despediu-se.

Hunter Doherty, o médico e palhaço americano que inspirou o filme "Patch Adams - o amor é contagioso" protagonizado por Robin, expressou hoje sua "tremenda tristeza" com a morte do ator, em uma mensagem no Facebook.

A comédia foi indicada ao Oscar de melhor música original e, por sua atuação, Williams recebeu uma indicação ao Globo de Ouro.

"A terrível notícia da morte de Robin Williams me deixou com uma tremenda tristeza aqui na Amazônia peruana (onde o médico está), ontem à noite (segunda)", escreveu Doherty.

"Obrigado por tudo o que você deu a esse mundo, Robin, obrigado, meu amigo", completou, acrescentando: "Sou enormemente agradecido por sua maravilhosa interpretação dos meus primeiros anos, o que permitiu o (Instituto) Gesundheit continuar e expandir seu trabalho".

Doherty fundou o instituto em 1971.

- Um mar de projetos -

O ator explorou todos os registros das emoções humanas com um delicado equilíbrio entre risos e lágrimas, com filmes como "A sociedade dos poetas mortos" (1989), "Pescador de ilusões" (1991), ou "Retratos de uma obsessão" (2002).

Seu papel como militar em "Bom dia Vietnã" (1987) também entrou para os anais do cinema, assim como o divertido extraterrestre que ele interpretou na famosa série "Mork & Mindy" (1978), que a levou para o estrelato.

Nos últimos meses, ele havia terminado as filmagens de "Merry Friggin' Christmas" e "Noite no museu 3", que serão lançados este ano, além de "Absolutely Anything", que chega às telonas em 2015. Robin já havia concordado com filmar, também para o próximo ano, a sequência de "Uma babá quase perfeita".

Enquanto colecionava sucessos ao longo de quatro décadas de carreira, ele também lutava contra uma severa depressão e contra vícios, ao mesmo tempo em que enfrentava insistentes boatos sobre um transtorno de bipolaridade.

Em 2006, o ator se internou voluntariamente em um centro de desintoxicação, depois de 20 anos sóbrio. Três anos depois, submeteu-se a uma delicada operação de troca de válvulas para estabilizar sua frequência cardíaca.

Nascido em Chicago (norte dos EUA), Robin Williams deixa três filhos de outros dois casamentos.

AFP