Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

A meio caminho entre uma atração da Disney e uma sala psicodélica, "A Casa do Eterno Retorno" poderia ser uma obra de Salvador Dalí se ele tivesse sido encarregado de criar um 'game show' para a televisão. 

(afp_tickers)

A meio caminho entre uma atração da Disney e uma sala psicodélica, "A Casa do Eterno Retorno" poderia ser uma obra de Salvador Dalí se ele tivesse sido encarregado de criar um 'game show' para a televisão.

À primeira vista se trata de uma casa vitoriana comum, mas ao entrar os visitantes mergulham em um labirinto fantástico.

"É arte interativa, extremamente interativa", explica Vince Kadlubek, cofundador e diretor-geral do Meow Wolf, o coletivo de arte por trás do projeto.

A atração de quase 2.000 metros quadrados, situada nos subúrbios de Santa Fe (sudoeste dos Estados Unidos), foi fundada pelo criador de "Game of Thrones", George R.R. Martin, como parte de um investimento de milhões de dólares para revitalizar esta parte do Novo México.

Santa Fe, onde confluem as culturas hispânica e indígena da etnia pueblo, conhecida por sua comunidade de artistas - Georgia O'Keefe viveu ali no final da sua vida - envelheceu nas últimas décadas.

A idade média é estimada em 42,5 anos, quase três anos a mais que em 2000 e cinco a mais que a média nacional.

Uma moradora de 50 anos disse à AFP que está cansada de ser sempre a mais jovem quando a convidam para uma festa.

Os trabalhadores sociais atribuem o êxodo dos jovens à falta de residências com aluguéis acessíveis, ou de trabalhos não relacionados com o turismo.

"O turismo também começou a sofrer porque os novos turistas - na faixa dos 40 anos, a Geração X - não queriam vir a Santa Fe", disse à AFP Kadlubek.

- Obra surrealista -

Para ele, a Casa do Eterno Retorno chegou no "momento certo e no lugar certo": o escritor R.R. Martin se envolveu cada vez mais com a cidade onde vive há quase 40 anos, ao mesmo tempo em que a séria da HBO "Game of Thrones", adaptação de seus romances de fantasia, ganhou popularidade.

Os visitantes entram no que parece uma casa de dois andares em quarentena - situada supostamente em Mendocino, Califórnia - mas rapidamente percebem que as aparências enganam.

A instalação interativa se baseia na misteriosa história dos Steligs, uma família fictícia que teria vivido e desaparecido da casa depois de uma fissura espaço-temporal.

Os visitantes perambulam livremente buscando pistas para entender o que aconteceu, através de cartas da família, listas de compras e diários, abrindo arquivos no computador e lendo notas na porta da geladeira.

Mas ao abrir a geladeira, encontram um corredor iluminado que leva a uma agência de viagens intergalácticas futurista, com portas de nave espacial que deslizam.

Rasteje pela lareira e chegará a um sistema de cavernas mágicas, onde há um esqueleto de mamute de três metros que pode ser tocado como um xilofone.

Entrar na secadora de roupas leva a mais de 70 quartos interligados que contém todo tipo de elementos psicodélicos, abstratos e um pouco aterrorizantes, influenciados pela cultura pop japonesa, pelos desenhos animados "Calvin e Hobbes" e inclusive pelo próprio Walt Disney.

"É um quebra-cabeças, é só para diversão. Tanto as crianças como os adultos adoram. É uma experiência única", afirma Gail Machov, que saiu de Minnesota (norte) para conhecer a atração.

- "Melhor que a Disney" -

George R.R. Martin, de 68 anos e preocupado com o envelhecimento da população da sua cidade, comprou em 2013 o cinema Jean Cocteau, que conta com uma única sala de 128 poltronas e estava abandonado havia sete anos.

O autor da saga de fantasia medieval ressuscitou o local não apenas projetando todas os últimos lançamentos do cinema, mas também convidando as estrelas de "Game of Thrones" para as estreias.

Também transformou as instalações de uma escola vazia em oficinas para artistas.

Em 2014, Kadlubek contatou o escritor, para quem tinha trabalhado brevemente no Jean Cocteau, para lhe propor montar uma "instalação interativa e multimídia" em um boliche abandonado de uma zona industrial.

A proposta seduziu R.R. Martin, e ele desembolsou três milhões de dólares para comprar o edifício, que foi remodelado durante 18 meses pelo coletivo Meow Wolf com o objetivo de atrair cerca de 100.000 visitantes em um ano. Um objetivo alcançado dois meses após a sua inauguração, em março de 2016.

Agora, o coletivo quer repetir a experiência em Denver, Las Vegas, Houston e Austin. "Queremos fazer com que seja melhor que a Disneylândia, melhor que a Universal" e que se torne a "atração mais incrível do mundo".

AFP