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(Arquivo) Foto tirada em 30 de agosto de 2016 mostra Aung San Suu Kyi em Naypyidaw

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Horas antes do início da Assembleia Geral da ONU, a líder birmanesa Aung San Suu Kyi falará pela primeira vez na terça-feira a seus compatriotas sobre a crise dos rohingyas, em uma mensagem também destinada à comunidade internacional.

Suu Kyi decidiu quebrar seu silêncio, mas não o fará na tribuna das Nações Unidas em Nova York, mas a partir de Naypidaw, a capital administrativa de Mianmar.

Um gesto simbólico, num momento em que o nacionalismo birmanês suscita muitas críticas internacionais pela situação dos mais de 400 mil rohingyas que fugiram para Bangladesh depois de deixarem o estado de Rakhine, no oeste de Mianmar, onde o exército realiza uma ampla campanha em represália aos ataques dos rebeldes desta comunidade no final de agosto.

O discurso de Suu Kyi, previsto para 10h00 (00H30 de Brasília), provoca grande expectativa porque permitirá verificar se a Prêmio Nobel da Paz mantém seu apoio inabalável ao exército, acusado de cometer todo tipo de atrocidade em suas operações.

Até o momento, a líder birmanesa, que fez suas únicas declarações públicas sobre os rohingyas através de seu serviço de imprensa e em uma entrevista para uma televisão indiana, pediu ao exército que atuasse com moderação e poupasse a vida dos civis.

Contudo, parece improvável que o seu discurso de terça seja inspirado naquele proferido no ano passado na Assembleia Geral da ONU, quando prometeu defender os direitos dessa minoria muçulmana, considerada uma das mais perseguidas do mundo.

- Todos com Suu Kyi -

Desde o início da crise, a maioria dos birmaneses apoia o governo e os militares.

"Estamos com a nossa Conselheira de Estado" (título oficial de Suu Kyi), era a manchete deste fim de semana do jornal oficial New Light of Myanmar, com uma foto de membros da diáspora birmanesa manifestando em Londres em favor da líder.

Outras fotos, incluindo algumas em que manifestantes queimavam retratos dela em países muçulmanos, inflamaram as redes sociais em Mianmar, país onde mais de 90% da população é budista e onde os muçulmanos são vistos como uma ameaça para identidade nacional.

Mayzin Aye, uma empresária birmanesa partidária de Suu Kyi, refletiu a opinião de muitos em seu país quando se dirigiu à comunidade internacional através do Facebook. "Ela não é sua líder, é a NOSSA líder", escreveu. "Tem milhões de filhas, filhos e irmãs que a apoiam 100%", acrescentou.

Suu Kyi, filha do pai da independência de Mianmar e figura icônica no seu país, denunciou o "iceberg de informações" divulgadas pela mídia internacional sobre a crise, e prometeu dizer "sua" verdade na terça-feira.

Seu discurso também permitirá que apareça como a líder do país, enquanto que, nas sombras, o chefe do exército, o general Min Aung Hlaing, desempenha um papel fundamental na situação atual.

Os militares continuam a ter enormes poderes e grande influência no país asiático, apesar da dissolução em 2011 da junta militar que inflamou o medo pela islamização em Mianmar durante as décadas que passou no poder.

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AFP