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Aung San Suu Kyi (centro) durante a visita a Maungdaw, região onde explodiu a crise dos rohingyas

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A líder birmanesa Aung San Suu Kyi visitou nesta quinta-feira (2), pela primeira vez, o oeste do país, onde o exército realiza uma campanha de repressão qualificada pela ONU de "limpeza étnica" contra a minoria muçulmana rohingya, o que provocou uma fuga em massa para Bangladesh.

Após essa visita surpresa, a Prêmio Nobel da Paz, que chegou ao poder em abril de 2016, não deu nenhuma declaração.

Enquanto isso, os Estados Unidos anunciaram que o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, viajará a Mianmar em 15 de novembro para abordar "ações para enfrentar a crise humanitária".

Os Estados Unidos consideram "responsáveis" os comandantes do exército pelo destino dos rohinyas, mas evitaram culpar Aung San Suu Kyi.

A dirigente do governo civil é muito criticada no exterior por sua pouca empatia com os rohingyas, uma das minorias mais perseguidas do mundo.

A dirigente birmanesa precisa lidar com as Forças Armadas, que mantêm um forte poder apesar da autodissolução da junta militar em 2011, e uma opinião pública majoritariamente xenófoba e antimuçulmana.

Durante sua visita desta quinta-feira, esteve em localidades devastadas das regiões de Maungdaw e Buthidaung e encontrou-se com várias de suas comunidades, segundo imagens da televisão estatal.

Estes dois distritos estão no norte do estado de Rakain, epicentro da operação contra os rohinyas.

As autoridades birmanesas rejeitam as acusações de "limpeza étnica", argumentando que seu único objetivo é erradicar a rebelião muçulmana do grupo Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA).

"Temos muitas coisas a falar", declarou à AFP um habitante rohingya da cidade de Maungdaw.

"Queremos falar com ela sobre os documentos. Meus avós e parentes nasceram e morreram nesta terra. Os rohingyas vivem no país há gerações", completou o pai de família em uma conversa por telefone.

Os rohingyas representam a maior população apátrida do mundo desde que a junta militar retirou a nacionalidade birmanesa da minoria em 1982.

Vítimas de discriminação, os rohingyas não dispõem de documentos de identidade e não podem casar ou viajar sem autorização.

Também não contam com acesso ao mercado de trabalho nem aos serviços públicos, como escolas e hospitais.

- "Necessidade maciça" de ajuda -

O governo birmanês de disse disposto a garantir o retorno dos refugiados. Mas "nenhum retorno será sustentável" se "o complexo tema da cidadania" não for solucionado, advertiu nesta quinta o Alto Comissário da ONU para os refugiados, Filippo Grandi.

"Estas pessoas não podem permanecer apátridas porque esta situação as expõe à discriminação e a abusos", insistiu.

Várias autoridades birmanesas e empresários influentes acompanharam Suu Kyi durante a visita.

Para a líder birmanesa, o desenvolvimento econômico da região, uma das mais carentes do país com um índice de pobreza de 78% - o dobro da média nacional -, é o mais importante.

As organizações humanitárias recordam que existe uma urgência de atendimento na região, onde apenas a Cruz Vermelha tem acesso liberado.

"Pedimos às autoridades que facilitem o trabalho humanitário, pois a Cruz Vermelha não pode responder sozinha à grande necessidade de ajuda", declarou Dominik Stillhart, diretor da ONG.

"Muitas pessoas abandonaram seus lares e vivem em condições miseráveis: um pedaço de plástico para se proteger da chuva, com os pés na lama, seja em Bangladesh ou em Rakain", acrescentou.

O êxodo maciço não tem fim e nesta quinta-feira, assim como nos dias precedentes, umas 3.000 rohinyas chegaram à fronteira com Bangladesh após intermináveis dias de caminhada, frequentemente sem comida, nem água.

"O exército não nos atacou, mas torna a nossa vida impossível. Não nos pagam e não podemos ir ao mercado. Quanto tempo poderemos viver assim?", questionava-se Mohammad Zafar, 35 anos, originário de uma aldeia próxima a Buthidaung.

A superpopulação e a insalubridade dos acampamentos em Bangladesh, que já abrigam um milhão de rohinyas, são um terreno fértil para o aparecimento de doenças.

De Genebra, o chefe da Federação Internacional da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho, Elhadj As Sy, advertiu durante entrevista à AFP que o cólera era uma verdadeira "bomba-relógio" que ameaça estes refugiados.

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AFP