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A chefe do governo birmanês, Aung San Suu Kyi, negou as acusações de limpeza étnica da minoria muçulmana rohingya em Mianmar

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A chefe do governo birmanês, Aung San Suu Kyi, negou as acusações de limpeza étnica da minoria muçulmana rohingya em Mianmar, em uma entrevista à BBC, depois que a ONU iniciou uma investigação sobre as alegações contra o exército neste país do sudeste asiático.

"Não acredito que haja limpeza étnica. Considero que o termo 'limpeza étnica' seja muito forte para explicar o que acontece", disse a ex-dissidente em uma entrevista transmitida nesta quarta-feira pela emissora.

Aung San Suu Kyi, que chegou ao poder há um ano e cujo partido acaba de conquistar a metade das cadeiras vagas nas eleições legislativas parciais, já havia negado no fim de março a decisão da ONU de enviar uma missão de investigação pelos recentes abusos imputados ao exército.

Segundo a chefe de governo há "muita hostilidade" na província oeste do país, onde vive mais de um milhão de rohingyas, mas "são também os muçulmanos que matam outros muçulmanos".

"Não é unicamente um tema de limpeza étnica", acrescentou a vencedora do prêmio Nobel da Paz de 1991. "Trata-se de dois grupos que se enfrentam e tentamos resolver" a situação, sustentou.

Os rohingyas, minoria considerada apátrida, são tratados como estrangeiros em Mianmar, país onde 90% da população é budista, embora alguns estejam morando há décadas no país.

Em outubro, o exército lançou uma ofensiva no estado de Rakhin, onde vivem os rohinyas, depois que grupos armados atacaram postos fronteiriços.

Segundo o alto comissário da ONU para os direitos humanos, esta campanha de vários meses está provocando uma "limpeza étnica" e estão sendo cometidos "muito provavelmente" crimes contra a humanidade.

Dezenas de milhares de rohingyas se refugiaram em Bangladesh e asseguram ter testemunhado assassinatos, torturas e estupros em grupo por parte dos soldados birmaneses.

Mianmar está realizando sua própria investigação sobre possíveis crimes.

Aung San Suu Kyi assegurou que aqueles que se refugiaram no país vizinho estarão "em segurança se desejarem retornar".

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