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Cartazes do referendo na Lombardia

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Os presidentes das regiões do Vêneto e da Lombardia, no norte da Itália, reivindicaram, neste domingo, a vitória do "sim" em referendos que pedem à Roma mais autonomia. Passada desapercebida por muito tempo, esta consulta ganhou interesse após a crise na Catalunha.

Segundo resultados parciais, a participação foi em torno de 40% na Lombardia e de 60% no Vêneto, com mais de 90% dos votos a favor do "sim".

Na Lombardia, o referendo não gerou tanto interesse e não tinha uma participação mínima exigida. O presidente da região, Roberto Maroni, tinha indicado que uma participação acima de 34% seria considerada um sucesso, embora seus adversários políticos do Partido Democrata (PD, centro-esquerda) advertissem que abaixo de 50% seria um "fracasso".

No Vêneto, a participação deveria superar os 50% para que o referendo fosse válido. Os habitantes desta região, com uma forte identidade, se mobilizaram para a consulta. O presidente da região, Luca Zaia, falou de um "belo resultado", com "mais de dois milhões" de habitantes que compareceram às urnas.

No entanto, a transmissão dos resultados foi afetada, segundo os responsáveis regionais, por um ataque de hackers.

"Temos três níveis de segurança, os hackers alcançaram dois deles. Por enquanto, estamos um pouco bloqueados, e telefonamos para cada comuna. Acredito que teremos os resultados definitivos dentro de algumas horas", acrescentou Zaia, que de todos os modos reivindicou a vitória do "sim" na consulta.

Você deseja que a sua região disponha de "formas adicionais e condições particulares de autonomia"? Esta é a questão que os eleitores deviam responder.

Este voto consultivo foi organizado por iniciativa dos presidentes da Lombardia, Maroni, e de Vêneto, Zaia, ambos membros do partido de extrema-direita Liga do Norte.

"Estou feliz de que milhares, espero que milhões, de eleitores do Vêneto e da Lombardia reivindiquem uma política de maior proximidade, mais concreta e mais eficiente, com menos burocracia e desperdícios", disse mais cedo Matteo Salvini, líder da Liga do Norte, impulsora do referendo.

Ao contrário do que acontece na Catalunha, o referendo respeita a Constituição italiana, que prevê a possibilidade de o Parlamento atribuir essas formas de autonomia às regiões que as solicitem, explica à AFP Nicola Lupo, professor de direito constitucional na Universidade Luiss de Roma.

"O referendo catalão era pela independência, enquanto que Lombardia e Vêneto pedem mais autonomia. Não se deve interpretar os referendos deste domingo como o início de uma onda independentista", explica o presidente do Parlamento europeu, o conservador italiano Antonio Tajani.

- Mais competências -

Caso a vitória do "sim" seja confirmada, Maroni e Zaia exigirão mais competências nas áreas de infraestruturas, saúde ou educação, bem como certos poderes reservados ao Estado, como decisões sobre segurança e imigração, que são questões-chave para a Liga do Norte, mas que iriam requerer alteração da Constituição.

Seu objetivo também é obter mais recursos, recuperando cerca de metade de seu saldo fiscal, diferença entre o que as províncias coletam em impostos e o que recebem do orçamento público.

Isso apresenta um déficit de 54 bilhões de euros para a Lombardia e cerca de 15 bilhões para Veneto.

O Vêneto (cinco milhões de habitantes) e a Lombardia (10 milhões) estão entre as regiões mais ricas da Itália e, em conjunto, representam 30% do PIB nacional.

O endividamento per capita é baixo: 73 euros para a Lombardia, 219 euros para o Vêneto, em comparação com 407 euros para a média nacional.

O mesmo vale para o "custo para o Estado" de cada habitante: 2.447 euros na Lombardia e 2.853 no Vêneto, bem abaixo da média italiana de 3.658 euros.

Para Maroni e Zaia, suas regiões devem ser recompensadas por suas contribuições econômicas.

A consulta convocada pela Liga do Norte também tem o apoio do partido de centro-direita Forza Italia de Silvio Berlusconi, do populista Movimento Cinco Estrelas, de organizações patronais e de vários sindicatos.

Algumas formações de esquerda, como o Partido Comunista, denunciam um "desperdício de dinheiro público" para "um referendo que é uma farsa".

O Partido Democrático italiano, de centro-esquerda, não orientou seus eleitores, mas alguns de seus líderes, como o prefeito de Milão, disseram que votariam sim.

Maroni disse que o referendo foi organizado "no marco da unidade nacional" e que pretendia "reformar as relações entre o governo central e os governos regionais", com o sonho de uma "Europa das regiões".

A Liga do Norte parece ter esquecido os anseios separatistas de seus primeiros anos (1996-2000) e tem se orientado na defensa de políticas contrárias ao euro e à imigração, seguindo o modelo da Frente Nacional francesa.

Para Zaia, o fato de se buscar um paralelo com a Catalunha era uma tentativa "enganosa" de tentar desencorajar o voto no sim.

"As semelhanças com a Catalunha são mínimas, o sentimento de independência não está muito presente" nas duas regiões, garante Lupo.

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AFP