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Autor de atentado antissemita na Alemanha em 2019 é condenado à prisão perpétua

Stephan Balliet no início de seu julgamento em Magdeburg, na Alemanha, em 21 de julho de 2020 afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 21. dezembro 2020 - 10:47
(AFP)

O autor do atentado cometido perto de uma sinagoga na cidade de Halle, região central da Alemanha, em 2019, foi condenado à prisão perpétua nesta segunda-feira (21), com uma pena mínima de 15 anos.

Stephan Balliet, um extremista alemão de 28 anos, foi considerado culpado de "dois assassinatos" e de várias tentativas de homicídio pelo ataque cometido em outubro de 2019, anunciou a presidente do tribunal, Ursula Mertens.

O condenado tentou invadir uma sinagoga na cidade de Halle, na qual havia mais de 50 pessoas reunidas por ocasião do feriado judaico do Yom Kippur. Não conseguiu e acabou matando dois transeuntes que passavam pelo local.

Segundo a Justiça alemã, o agressor pretendia "cometer um massacre". Foi impedido apenas pela solidez da porta da sinagoga, trancada a chave.

"O ataque foi um dos atos antissemitas mais repulsivos desde a Segunda Guerra Mundial", disse o promotor durante o julgamento.

Stephan Balliet, que durante o julgamento continuou a proclamar seu antissemitismo, ouviu o veredicto impassível e com o olhar vazio.

O condenado tentou entrar no templo à força, com cargas explosivas e armas de fogo.

Sem conseguir abrir a porta, matou uma mulher que passava por ali e um homem que estava em um restaurante de kebab. Foi perseguido pela polícia, que conseguiu detê-lo.

- 'Tolerância zero'

Os serviços alemães de Inteligência traçaram um paralelo com os atentados cometidos em Christchurch, na Nova Zelândia, alguns meses antes, contra duas mesquitas. O saldo foi de 51 mortes.

O réu gravou e transmitiu seu ataque ao vivo, negando a existência do Holocausto e insultando os judeus.

Durante o julgamento, Balliet não demonstrou, em nenhum momento, qualquer sinal de arrependimento. Justificou seus atos e lançou palavras de ordem racistas, misóginos e antissemitas.

O condenado alegou que atacar uma sinagoga "não foi um erro", porque, segundo ele, quem estava dentro de estabelecimento religioso era "inimigo".

Um psiquiatra que o examinou disse que Balliet tinha sérios transtornos, que "misturavam esquizofrenia, paranoia e autismo", mas que ele era responsável por seus atos.

"Estamos aliviados em ver que tudo termina hoje. Foi longo e difícil o suficiente", disse Mark Lupschitz, advogado de nove demandantes, à AFP, agradecendo ao tribunal por não ter transformado este julgamento em uma vitrine para extremistas de direita.

Em um comunicado, o presidente do Conselho Central dos Judeus Alemães, Josef Schuster, considerou que o veredicto marca "um dia importante para a Alemanha", já que "o ódio assassino contra os judeus registra uma tolerância zero".

Os crimes contra a comunidade judaica na Alemanha aumentaram 13% em 2019, quando 2.032 eventos antissemitas foram registrados.

O ataque de Halle coincidiu com o ressurgimento do terrorismo de extrema direita, especialmente o assassinato de Walter Luebcke, um político pró-imigração, em 2019, e um ataque em Hanau (oeste) em fevereiro passado. Neste último, nove pessoas foram mortas a tiros, a maioria delas migrantes.

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