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A origem da revolta é a mesquita Ibn Rushd-Goethe, inaugurada na semana passada em Berlim por um grupo de muçulmanos que se define como 'Islã moderno'

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A autoridade religiosa turca fez duras críticas à inauguração de uma mesquita em Berlim onde homens e mulheres podem rezar juntos. Para a instituição, isto seria "incompatível" com os princípios do Islã.

"Os princípios fundamentais da nossa grande religião foram varridos", critica a Direção de Assuntos Religiosos (Diyanet), encarregada de organizar o culto muçulmano na Turquia, em um comunicado.

"As práticas que não são compatíveis com as fontes fundamentais de conhecimento do Islã, com os princípios do culto, a metodologia e a experiência herdada ao longo de mais de 14 séculos são só mais uma tentativa de alterar a religião", aponta a Diyanet.

A origem da revolta é a mesquita Ibn Rushd-Goethe, inaugurada na semana passada em Berlim por um grupo de muçulmanos que se define como Islã "moderno".

Entre os fundadores do grupo, está uma advogada alemã de origem turca, Seyran Ates.

Os membros da pequena comunidade querem abrir as portas de sua mesquita aos sunitas, xiitas e alevitas. Homossexuais também podem frequentá-la.

"Não acreditamos que tentativas de mudar irresponsavelmente o culto do Islã, que existe há 14 séculos (...), sejam liberdade de pensamento ou crença", protesta a Diyanet.

A autoridade religiosa acusa o movimento do pregador Fethullah Gülen - que, para o governo turco, foi quem instigou o golpe fracassado na Turquia em julho de 2016 - de estar por trás deste projeto, sem, contudo, se aprofundar na denúncia.

Gülen é um ex-aliado de Erdogan que o define como chefe de uma organização "terrorista" e nega qualquer implicação com a tentativa de golpe de Estado. Ele está exilado nos Estados Unidos desde os anos 1990.

A Diyanet tem grande prestígio entre parte da comunidade turca na Alemanha, onde administra 900 mesquitas e associações por meio de seu braço local, o Ditib.

Em fevereiro, a Diyanet teve que levar seis imãs turcos de volta ao seu país, depois de autoridades alemãs suspeitarem que eles espionavam defensores de Gülen, o que o governo turco nega.

AFP