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O suspeito Sayfullo Saipov

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As motivações do homem que atropelou, nesta terça-feira (31), ciclistas e pedestres em Nova York e matou oito pessoas, além de ferir outras 11, concentravam nesta quarta (1º) a atenção das autoridades.

Poucas horas após o ataque que aconteceu terça-feira à tarde em Manhattan, o presidente Donald Trump determinou o reforço do programa de controle de estrangeiros que tentam entrar no país, embora os investigadores ainda não tenham atribuído a autoria do crime.

Em um primeiro momento, Trump qualificou o agressor de "doente e perturbado", antes de citar o grupo Estado Islâmico: "não podemos permitir ao ISIS (grupo Estado Islâmico) retornar, ou entrar, em nosso país após o termos derrotado no Oriente Médio e em outros lugares. Basta!".

A polícia americana não identificou o autor do atentado, indicando apenas que ele tinha 29 anos. As redes de televisão apontaram o agressor como o uzbeque Sayfullo Saipov, residente de Nova Jersey (leste), onde alugou a caminhonete utilizada no atentado.

Ele tinha visto de residência permanente (green card) e trabalhava como motorista do Uber, de acordo com o jornal "The New York Times", acrescentando que já estava "sob o radar" da polícia.

O presidente do Uzbequistão, Chavkat Mirzioyev, prometeu nesta quarta-feira "usar todas as suas forças e recursos para ajudar na investigação sobre este ato terrorista".

"A tragédia que aconteceu confirma de novo a necessidade de unir os esforços de toda a comunidade internacional na luta contra este desafio de nossa época", completou Mirzioiev, que ofereceu pêsames ao presidente americano e às famílias das vítimas.

Ex-república soviética de maioria muçulmana, o Uzbequistão tem centenas de cidadãos lutando em grupos "jihadistas" no Iraque e na Síria, segundo estimativas dos serviços de segurança russos.

- O ataque -

O ataque aconteceu a poucas quadras do memorial do 11 de setembro de 2001 em Manhattan, perto de escolas e de um parque, enquanto crianças e seus pais se preparavam para festejar o Halloween.

Às 15h05 (17h05 de Brasília), o agressor jogou sua caminhonete branca contra ciclistas e pedestres em uma ciclovia às margens do rio Hudson e gritou "Allahu Akbar" (Deus é grande, em árabe) antes de ser baleado pela polícia.

Atingido no abdome, foi submetido a uma cirurgia e deve sobrevivar, de acordo com a imprensa.

Após a colisão, o homem saiu do veículo com duas armas, uma de pressão (chumbinho) e outra de paintball, informou a polícia de Nova York, que afirmou não procurar outros suspeitos.

Logo após o ataque, policiais, bombeiros e ambulâncias chegaram ao local e bloquearam várias ruas, enquanto helicópteros sobrevoavam o sul de Manhattan.

John Williams, de 22 anos, que chegou ao local pouco depois do agressor ser baleado, descreveu "um forte odor de pólvora".

"Tinha um homem ferido no chão. Parecia ter recebido um tiro. Estava cercado por policiais e paramédicos", relatou à AFP.

"Vi que dois veículos, um branco e um micro-ônibus, se chocaram. Dois homens queriam brigar na rua. Um tinha duas pistolas, uma em cada mão. No final, chegou a polícia, e escutamos três tiros", declarou Manuel Calle, 46 anos, que trabalha em um restaurante próximo.

A Chancelaria argentina informou que o ataque matou cinco argentinos, "da cidade de Rosario" (300 km ao norte de Buenos Aires), que integravam "um grupo de amigos que celebrava o 30° aniversário de formatura da Escola Politécnica desta cidade".

O governo de Mauricio Macri declarou que está prestando assistência "às famílias neste terrível momento de profunda dor, compartilhada por todos os argentinos".

Uma mulher belga também faleceu, enquanto três cidadãos desse país ficaram feridos, de acordo com Bruxelas. Um alemão também está entre os feridos.

- "Ato terrorista" -

"Com base na informação de que dispomos no momento, trata-se de um ato de terrorismo (...) particularmente covarde", disse o prefeito de Nova York, o democrata Bill de Blasio.

"Este é um dia muito doloroso para nossa cidade. Uma terrível tragédia", ressaltou.

O governador de Nova York, o também democrata Andrew Cuomo, destacou que a cidade "é um símbolo internacional de liberdade e democracia", o que faz dela "também um alvo desta gente que rejeita estes conceitos".

"Já vivemos isto antes", recordou.

Um desfile de Halloween foi realizado como planejado, mas sob forte esquema de segurança, e Cuomo ordenou iluminar o World Trade Center com as cores vermelha, branca e azul da bandeira americana "em homenagem à liberdade e à democracia".

Este foi o primeiro ato vinculado ao terrorismo em Nova York desde a explosão de uma bomba artesanal, em setembro de 2016, em Chelsea, que deixou 31 feridos leves. O afegão de origem americana Ahmad Khan Rahimi foi condenado por terrorismo no início deste mês.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, prestou sua solidariedade: "Juntos derrotaremos o mal do terrorismo".

O presidente francês, Emmanuel Macron, expressou suas "condolências e a solidariedade da França a Nova York e aos Estados Unidos".

"Nossa luta pela liberdade nos une mais do que nunca. #Manhattan", publicou no Twitter.

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AFP