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O ex-chefe do governo espanhol José María Aznar, no dia 29 de setembro de 2017, em Nova York

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O ex-chefe do governo espanhol José María Aznar disse nesta quarta-feia (25) que a oposição venezuelana se enfraqueceu e urgiu "que volte aos trabalhos", depois da saída do líder opositor Henrique Capriles da coalizão.

O ex-presidente espanhol (1996-2004) abordou o tema em um fórum em Miami junto com uma dezena de ex-presidentes latino-americanos.

"A política democrática na Venezuela tinha três pilares essenciais: um era a unidade da oposição, outro era a mobilização dos venezuelanos, e o outro era a pressão internacional", afirmou Aznar à imprensa.

"Os três pilares se enfraqueceram e um dos que mais se enfraqueceu é o tema da unidade da oposição", continuou.

Capriles anunciou na terça-feira (24) a sua saída da Mesa da Unidade Democrática (MUD) porque quatro dos cinco governadores opositores eleitos na votação regional de 15 de outubro tomaram posse na segunda-feira (23) ante a Assembleia Constituinte governista.

Esta Assembleia Constituinte não é reconhecida como legítima pela oposição e é desconhecida por 12 governos latino-americanos, assim como União Europeia, Estados Unidos e Canadá.

Por isso, a juramentação dos governadores opositores foi comemorada como uma vitória pelo presidente Nicolás Maduro, depois dos protestos contra o governo que duraram quatro meses e deixaram 125 mortos.

"O que faria muito bem à oposição, disse Aznar, se quiser continuar tentando manter uma credibilidade internacional e continuar tentando também representar os anseios de tantos milhões de venezuelanos (...), é reunir forças e voltar aos trabalhos".

O diretor político do partido venezuelano Vontade Popular, Carlos Vecchio, disse à AFP que o resultado eleitoral e os acontecimentos posteriores "sem dúvida marcam uma derrota política brutal para quem está aspirando a uma mudança".

"Todos temos uma responsabilidade em tudo isso", disse Vecchio, cujo partido faz parte da MUD e é dirigido por Leopoldo López, que atualmente cumpre prisão domiciliar.

Vecchio acrescentou que "uma nova apresentação unitária" deve ter como princípio "a necessidade de sair da ditadura e não de conviver com ela".

"Não podemos ir para processos eleitorais viciados como os que estivemos".

- Liberdade sobre unidade -

No fórum do Miami Dade College, intitulado "Até a reinvenção dos partidos políticos?", também compareceram ex-presidentes latino-americanos como Fernando de la Rúa e Eduardo Duhalde (Argentina), Luis Alberto Lacalle (Uruguai), Jorge Quiroga (Bolívia), entre outros.

Recorrendo ao termo que a oposição venezuelana utiliza para se referir à Assembleia Constituinte, Quiroga disse: "a 'Prostituinte' está mostrando que vai ficar prostituindo. Lamentavelmente alguns o fizeram. Comemoro e saúdo Juan Pablo Guanipa", o único governador opositor que se negou a juramentar na segunda-feira.

"Chega um momento em que se deve sacrificar a unidade para lutar pela liberdade", continuou Quiroga, entre aplausos.

Também participou do fórum o secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, que foi ovacionado de pé pelo público, em sua maioria venezuelano.

Almagro, rosto da causa da oposição venezuelana, fez selfies com os fãs, mas não deu declarações à imprensa nem se referiu diretamente ao tema venezuelano em sua explanação.

A OEA publicou nesta quarta-feira um relatório em que a denuncia a ilegitimidade das eleições regionais na Venezuela, nas quais a situação ganhou 18 das 23 governações.

"O processo eleitoral venezuelano esteve claramente atormentado de irregularidades que restringiram os direitos políticos dos cidadãos e impediram que os resultados publicados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE) refletissem a vontade do povo venezuelano", indicou a organização multilateral.

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AFP