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A presidente do Chile, Michelle Bachelet, é vista na abertura da Copa América em Santiago, em 11 de junho de 2015

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A presidente do Chile, Michelle Bachelet, alvo de denúncias de corrupção que derrubaram sua popularidade, respirou aliviada nesta sexta-feira, após sair ilesa da cerimônia de abertura da Copa América do Chile-2015, na qual compareceu sem ser vaiada.

Em um ambiente contaminado pelos casos de corrupção, juntamente com volumosas manifestações de estudantes, professores e motoristas do transporte público, a presença de Bachelet na abertura da Copa América do Chile, na noite de quinta-feira, não era certa.

Mas, usando uma echarpe da seleção chilena, Bachelet foi ao Estádio Nacional de Santiago e conseguiu evitar as vaias com uma aparição calculada, que não incluiu sua apresentação por alto-falantes, discurso inaugural, nem a projeção de sua imagem nos telões do estádio.

"Não podia não estar aqui, acompanhando a 'Roja' de todos em uma noite tão especial", declarou Bachelet brevemente a jornalistas na entrada do local.

No estádio, a chefe de Estado sentou-se ao lado da ministra dos Esportes, Natalia Riffo, mas evitou uma aproximação maior com o presidente da Associação Nacional de Futebol chileno, Sergio Jadue, salpicado também pelo caso de corrupção que afeta a FIFA.

Assim como Bachelet, Jadue fez uma aparição discretíssima no início do torneio que reúne no Chile seleções de 10 países sul-americanos, além dos convidados México e Jamaica.

Mais tempo para as medidas anticorrupção

Nesta sexta-feira, quando vencia o prazo para enviar ao Congresso uma bateria de leis anticorrupção, Bachelet respirou e adiou para a próxima semana a apresentação das iniciativas, com as quais quer regular o financiamento impróprio de políticos, os conflitos de interesse e evitar a especulação imobiliária, entre outros temas.

O caso afeta diretamente a Presidência. Seu filho mais velho, Sebastián Dávalos, e sua nora, Natalia Compagnon, são investigados por "uso de informação privilegiada" e "tráfico de influência", após concretizar um negócio milionário de especulação imobiliária, em um escândalo que derrubou a popularidade de Bachelet no menor nível (29%) de seus dois mandatos.

Paralelamente, dezenas de políticos e assessores, entre eles seus arrecadadores de campanha, são investigados pelo financiamento irregular de parte de empresas, através do uso de contas por serviços prestados ou informes fraudulentos.

Mas a presidente resolveu "tomar um pouco mais de tempo" para enviar ao Congresso o grosso das 14 medidas pendentes, anunciou o porta-voz oficial, Marcelo Díaz, que afirmou que o trâmite se concretizaria na próxima semana.

Nesta sexta-feira, a presidente avançou na assinatura de apenas duas iniciativas econômicas: a criação de uma Direção de Concessões - para zelar pela transparência - e de uma Comissão de Valores e Seguros, que aprofundará a independência da entidade reguladora do mercado chileno.

"Para evitar a corrupção, o tráfico de influência ou qualquer vislumbre de engano ou abuso entre a política e o dinheiro, é urgente ter leis mais duras e efetivas, que ofereçam aos promotores e aos juízes ferramentas melhores", disse a presidente na cerimônia de assinatura dos projetos.

AFP