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Catalães vão às ruas de Barcelona após proclamação da independência, em 27 de outubro de 2017

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Cerca de 750.000 pessoas foram às ruas de Barcelona, neste sábado (11), reivindicar a liberdade dos líderes separatistas catalães detidos, em um novo teste sobre a capacidade de mobilização de um movimento que tenta se reorganizar após o fracasso da proclamação de independência.

"Os políticos não fizeram seu trabalho. Agora, cabe a todos os cidadãos" se manifestar, disse à AFP Robert Muni, que compareceu ao ato com seus dois filhos.

Na manifestação foi emitida uma mensagem gravada pelo presidente catalão recentemente destituído, Carles Puigdemont, que está em Bruxelas, animando o povo a levantar a voz. "Voltaremos a nos fazer escutar, que todo mundo escute", pediu.

Dez líderes separatistas estão em prisão preventiva como suspeitos de sedição e de rebelião. Oito deles são membros do governo catalão, então chefiado por esse ex-jornalista de 54 anos, que está acompanhado na Bélgica por quatro conselheiros, que deverão depor pelos mesmos fatos.

Sob o lema "Liberdade presos políticos", a manifestação começou às 17h (14h, horário de Brasília), liderada por familiares dos líderes separatistas detidos.

O protesto foi dominado pelos gritos de "liberdade, liberdade!", incluiu a leitura de mensagens de todos os líderes presos e concluiu com o hino catalão, "Los segadores".

Inicialmente estava previsto que acontecesse ao longo de quatro ruas, mas acabou percorrendo 16 ruas, mais de três quilômetros.

O ato, que estava previsto para 12 de novembro, foi antecipado para hoje, na tentativa de ressoar as grandes manifestações de 11 de setembro, data da festa nacional da Catalunha.

"Estamos absolutamente decididos a defender nosso governo e nossas instituições, que o Estado espanhol nos usurpou", disse Blanca Treig, empresária barcelonesa de 50 anos.

O ato foi convocado pelas organizações Omnium e Assembleia Nacional Catalã, cujos líderes, Jordi Cuixart e Jordi Sánchez, também estão presos.

Estará no evento a prefeita de Barcelona, Ada Colau, que defende um referendo para a região, mas que se mostrou muito crítica em relação à estratégia unilateral adotada pelos separatistas.

"Queremos que os presos saiam, mas também queremos que um governo irresponsável (o catalão), que levou o país ao desastre, dê as caras", disse ela, neste sábado, durante comício de seu partido.

"Elevou-se a tensão no país, levando-o a uma declaração unilateral de independência que a maioria do país não queria (...), enganando a população por interesses partidários", criticou.

- Recuperar o impulso -

Quem não compareceu à manifestação, por conselho de seu advogado, foi a presidente do Parlamento catalão, Carme Forcadell, uma separatista de peso que foi posta em liberdade sob fiança esta semana, após se comprometer a acatar a lei, se permanecer na política.

Segundo os autos da Justiça, ela e os deputados processados pela proclamação da independência em 27 de outubro disseram que ou abandonavam a política, ou iriam continuar a exercê-la "renunciando a qualquer atuação fora do marco constitucional".

Além disso, relativizaram a proclamação de independência. Essa mudança de posição abre caminho para que outros separatistas presos façam o mesmo.

Os independentistas consultados pela AFP se mostraram compreensivos com Forcadell. "É muito difícil estar diante do juiz. Todo mundo diz o que precisa dizer para sair livre", disse Maria Ángels Quintana.

Tudo isso ocorre com as eleições regionais de 21 de dezembro no horizonte, convocadas pelo governo central do conservador Mariano Rajoy, em meio à destituição do Executivo catalão e à dissolução da Câmara regional. Essas medidas foram adotadas no âmbito do artigo 155 da Constituição.

A intervenção do governo central e as eleições estão provocando uma reorganização da estratégia do separatismo. As tentativas de Puigdemont de criar uma frente eleitoral pró-independência foram em vão até o momento.

Seus até agora sócios de governo, o ERC (Esquerda Republicana da Catalunha), já apresentaram sua lista eleitoral sozinhos, liderada pelo até agora vice-presidente catalão, Oriol Junqueras, um dos políticos detidos.

O partido larga como favorito, segundo as pesquisas, ainda que sem maioria absoluta e obrigados a buscá-la, o que pode levar a um rearranjo da política e da agenda catalãs. Nos últimos anos, ambas foram monopolizadas pelo debate sobre a independência.

O fim de semana ganhou clima de campanha eleitoral com vários atos dos partidos. No domingo, Rajoy irá a Barcelona para participar de um evento de seu Partido Popular (PP).

Seu principal oponente, o socialista Pedro Sánchez, atacou-o neste sábado por sua gestão da crise na região.

"Viu o desafio separatista crescer e não fez nada para evitá-lo (...) Preferiu enfrentar, destruir, calar e dividir: esse é o legado das cinzas da direita", criticou.

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AFP