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Os reis Felipe VI e Letizia conversam com o arcebispo de Barcelona, cardeal Joan Josep Omella, ao lado do primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy (E) após a missa na Sagrada Família

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Barcelona prestou homenagens neste domingo aos 14 mortos nos atentados de quinta-feira e sexta-feira, ao mesmo tempo em que a Polícia continuava com a busca a um fugitivo da célula jihadista que planejava executar vários ataques na capital da Catalunha.

"Se soubesse que está na Espanha e soubesse a localização, iríamos atrás dele. Não sabemos onde está", declarou à imprensa internacional o comandante da polícia catalã, Josep Lluís Trapero, em referência ao foragido.

De acordo com a imprensa espanhola, o fugitivo é o marroquino Younes Abouyaaqoub, de 22 anos, que seria o motorista da van que feriu outras 120 pessoas ao lançar o carro na direção dos pedestres nas Ramblas de Barcelona. O comandante dos Mossos d'Esquadra (polícia regional) não confirmou a identidade do suspeito.

Segundo Trapero, os planos iniciais da célula, composta por 12 pessoas - incluindo um imã -, foram frustrados por uma explosão acidental na quarta-feira em uma casa de Alcanar, 200 km ao sul de Barcelona.

"Naquele momento estavam preparando os explosivos para, de modo iminente, executar um ou vários atentados na cidade de Barcelona", disse Trapero.

Neste sentido, informou que na casa estavam armazenados mais de cem botijões de gás e que a Polícia catalã encontrou "ingredientes" de TATP, um explosivo utilizado pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI), que reivindicou os atentados.

Martine Groby, uma aposentada francesa de 61 anos, vizinha desta casa, contou à AFP que desde abril observou um ir e vir contínuo de quatro homens que falavam francês e eram muito "discretos", que "sempre davam um jeito para que eu não vissem o que estavam descarregando".

- O papel do imã -

Dos doze membros identificados da célula, quatro estão detidos, cinco morreram após o ataque em Cambrils (120 km ao sul de Barcelona), um está foragido e outro morreu na casa de Alcanar.

O 12º também pode ter falecido na explosão de Alcanar, pois na residência foram encontrados "vestígios de no mínimo duas pessoas", disse Trapero.

Nenhum dos 12 integrantes da célula, com idades entre 17 e 34 anos, tinha antecedentes vinculados com delitos de terrorismo, informou o comandante dos Mossos d'Esquadra.

Trapero confirmou que um dos integrantes da célula é o imã de Ripoll, uma pequena cidade do norte da Catalunha onde moravam diversos integrantes do grupo.

O imã foi identificado por seu colega de apartamento, Nordeen el Haji, como Abdelbaki Es Satty. No sábado, a Polícia realizou uma operação de busca na casa do religioso.

Nas últimas horas aumentaram as suspeitas de que o imã, de 42 anos, liderava a célula.

"Ele se reunia mais com os jovens do que com pessoas da sua idade", afirmou à AFP um vizinho de Ripoll, ao descrever o imã, que chegou à cidade em 2015. Em junho, ele pediu férias de três meses, ao afirmar que precisava viajar ao Marrocos.

- Homenagem na Sagrada Família -

Durante a manhã, Barcelona homenageou as vítimas em uma cerimônia solene na Sagrada Família, o famoso templo concebido por Antonio Gaudí, na presença de 1.800 pessoas.

A cerimônia, sob fortes medidas de segurança que incluíram a presença de franco-atiradores, contou com a participação do rei Felipe e da rainha Letizia da Espanha.

O primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, e o presidente da região da Catalunha, Carles Puigdemont, também estiveram presentes em um momento em que as divergências entre ambos têm aumentado pelo projeto separatista do governo autônomo.

"A união nos faz fortes, a divisão nos corrói e nos destrói", declarou em sua homilia o arcebispo de Barcelona, Juan José Omella.

"Las Ramblas são algo muito forte para nós, passeamos por lá muitas vezes, poderia ter acontecido comigo, com meus filhos, com qualquer pessoa", disse à AFP antes da missa Teresa Rodríguez, moradora da Catalunha desde 1969.

"Isso poderia ter acontecido com qualquer pessoa, inclusive comigo, como turista", declarou a chilena Francisca Rubio.

A capital catalã recuperou parte da normalidade com o início da Liga no Camp Nou, onde o Barça dedicou à sua torcida, de luto, a vitória por 2-0 sobre o Betis.

Nas arquibancadas, a torcida repetiu o lema "Não tenho medo" e em campo, Leo Messi e companhia exibiram braçadeiras pretas e camisetas especiais, nas quais seus nomes foram substituídos pelo da cidade de "Barcelona".

"A reconquista da normalidade é a maior derrota dos que desejam alterar nossa forma de vida normal, da qual faz parte o futebol", afirmou Puigdemont.

- Doze vítimas identificadas -

Até o momento já foram identificadas 12 das 14 vítimas fatais. Entre elas destaca-se um menino britânico-australiano de sete anos, e outro espanhol de três.

A Polícia catalã investiga também o caso do jovem Pau Pérez, de 34 anos, encontrado morto com ferimento de arma branca em um veículo que na quinta-feira passou por um posto de controle, três horas depois do atropelamento em Las Ramblas. Se for confirmada a relação com o atentado, seria a 15ª vítima do atentado.

Sobre os feridos, neste domingo à tarde havia 10 pessoas hospitalizadas em estado crítico das 51 ainda internadas.

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AFP