AFP

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, em Frankfurt am Main, em 27 de abril de 2017

(afp_tickers)

O Banco Central Europeu (BCE) manteve inalterada nesta quinta-feira sua política monetária intervencionista, como era esperado, e o presidente do organismo, Mario Draghi, expressou suas expectativas sobre o "fortalecimento" do crescimento na zona do euro.

O conselho de governadores, instância que dirige o BCE, integrada por seis diretores e 19 presidentes de bancos centrais da zona do euro, manteve sua taxa de juros, no nível mais baixo desde março de 2016, e manteve seu amplo programa de compra de dívida.

A entidade com sede em Frankfurt mantém em zero sua principal taxa, referência para o crédito na zona do euro.

A taxa de juros marginal, com a qual os bancos se endividam por 24 horas, foi mantida em 0,25%. A taxa de depósito caiu para território negativo pela primeira vez em junho de 2014, e se mantém no negativo, a -0,4%.

"Os dados disponíveis desde março confirmam que a recuperação cíclica da economia da zona do euro é cada vez mais sólida", declarou Draghi em uma entrevista coletiva em Frankfurt.

Os economistas não esperavam nenhum anúncio novo sobre os juros antes do segundo turno da eleição presidencial na França, prevista para 7 de maio.

Os juros não sofrem alteração desde março de 2016. O BCE promete desde então mantê-los baixos por muito mais tempo.

O BCE, que havia ampliado em dezembro seu programa de compra de dívida -pública e privada- não anunciou nenhuma modificação ao dispositivo lançado em 2015 para incentivar a economia.

- As ameaças sobre a economia -

Draghi e o economista-chefe do BCE, Peter Praet, têm insistido ultimamente nas ameaças sobre a economia da zona do euro pelo complicado contexto mundial, em particular os temores provocados pelo protecionismo nos Estados Unidos, o "Brexit" ou a emergência de movimentos antissistema na Europa.

No entanto, Draghi disse na coletiva que talvez "o risco de protecionismo comercial tenha diminuído um pouco".

O responsável do BCE retornou da recente reunião do G20 em Washington, em que manteve reuniões com as autoridades americanas.

Draghi reconheceu que "realmente" não houve muita clareza nessas reuniões. "No momento seria prematuro reagir ou tomar decisões a partir das futuras políticas da administração americana", disse.

A vantagem do candidato centrista pró-europeu Emmanuel Macron no primeiro turno das eleições presidenciais francesas é considerada uma boa notícia para afastar a instabilidade financeira e o risco de desaceleração do crescimento na zona do euro.

O fato de a candidata anti-europeia da Frente Nacional (FN, extrema direita), Marine Le Pen, ainda continua sendo um fator de risco, segundo os economistas.

Finalmente, o BCE não está disposto a baixar a guarda. A inflação caiu em março a 1,5%, chegando a 2% em fevereiro, na meta da entidade.

Especialistas aguardam com impaciência a reunião de política monetária de junho.

AFP

 AFP