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Biden nomeia general Lloyd Austin como o primeiro chefe negro do Pentágono

(ARQUIVO) Nesta foto de 8 de março de 2016, o general do Exército Lloyd Austin III, comandante do Comando Central dos EUA, fala durante uma audiência do Comitê de Serviços Armados do Senado em Washington, DC afp_tickers
Este conteúdo foi publicado em 08. dezembro 2020 - 21:57
(AFP)

O presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, nomeou nesta terça-feira (8) o general reformado do Exército Lloyd Austin como Secretário de Defesa, uma escolha que descreveu como "necessária" e "histórica".

Se a nomeação for confirmada pelo Senado, Austin, de 67 anos, será o primeiro negro a chefiar o Pentágono, uma instituição onde as minorias são fortemente representadas na base, mas não no topo.

Este general reformado do Exército, que lutou no Iraque e no Afeganistão antes de se tornar o primeiro homem negro a liderar o Comando Central do Exército dos Estados Unidos (Centcom), "está excepcionalmente qualificado para assumir os desafios e as crises que enfrentamos atualmente", escreveu o presidente eleito democrata em um comunicado.

"O general Austin compartilha da minha profunda convicção de que o nosso país é mais forte quando lidera não só com o exemplo do nosso poder, mas também com o poder do nosso exemplo", acrescentou Biden.

"Uma personalidade brilhante e respeitada, uma figura pioneira na história do Exército dos Estados Unidos, o secretário designado Austin se reformou do Exército em 2016, após mais de 40 anos de serviço na defesa dos Estados Unidos", ressaltou no comunicado.

- Resistência -

Segundo uma fonte próxima à equipe de transição, citada pela CNN, os dois homens também forjaram vínculos pessoais através do filho de Biden, Beau, afetado por um câncer em 2015, após ter lutado no Iraque sob as ordens do general Austin.

Beau Biden e Lloyd Austin ficaram amigos, disse esta fonte à CNN. "Iam juntos à missa e se sentavam um do lado do outro quase todos os domingos", contou.

Graduado na prestigiosa academia militar de West Point, o general Austin reformou-se em 2016, antes de ir para a indústria da defesa, seguindo os passos de muitos de seus antecessores. Ele integra a junta diretiva da Raytheon Technologies.

Mas sua confirmação pelo Senado não é certa: desde que surgiram as primeiras notícias na imprensa sobre sua possível nomeação, vozes se levantaram lamentando a escolha de um militar reformado para supervisionar um exército americano às vezes acusado de ter influência demais.

O Congresso dos Estados Unidos, que mantém o controle civil sobre os militares, adotou um regulamento que determina que um militar deve ter mais de sete anos de reformado para se tornar Secretário de Defesa.

Como este regulamento não seria respeitado com Austin, o Congresso deve conceder-lhe uma dispensa. Isso já aconteceu em 2016 com Jim Mattis, mas sob protestos.

E entre os que votaram contra a isenção estavam vários nomes importantes do Partido Democrata, incluindo os candidatos das primárias do partido,

Bernie Sanders, Elizabeth Warren e Cory Booker.

Vários senadores democratas já anunciaram na terça-feira que vão se opor, como o influente senador por Connecticut Richard Blumenthal.

- "História" -

Em uma coluna publicada nesta terça na revista The Atlantic, com o título "Um secretário da Defesa experiente, necessário e histórico", Biden tentou acalmar a controvérsia.

"Respeito e acredito na importância do controle civil sobre o nosso Exército", argumentou.

Mas, "espero que o Congresso conceda uma exceção ao secretário nomeado Lloyd Austin, como fez com Jim Mattis".

"Dadas as imensas e urgentes ameaças e desafios que nossa nação enfrenta, deve ser confirmado rapidamente", acrescentou.

Biden, de 78 anos, e futura vice-presidente, Kamala Harris, de 56, a primeira mulher e primeira pessoa negra e de ascendência asiática a ocupar o cargo, prometeram um governo que "se pareça com os Estados Unidos" em toda a sua diversidade.

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